Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Novas terapias ampliam controle do câncer, mas acesso ainda limita tratamento

Avanços na oncologia permitem controlar alguns tumores por anos, enquanto custos, testes e demora na incorporação dificultam o acesso.

Novas terapias ampliam controle do câncer, mas acesso ainda limita tratamento

O avanço de terapias direcionadas a características específicas dos tumores ampliou as opções contra o câncer e, em alguns casos, permite controlar a doença por anos. O acesso a esses tratamentos, porém, continua limitado por custos elevados, diferenças entre os sistemas público e privado e demora na realização de exames e na compra de medicamentos.

A mudança ganhou força há 25 anos, com o avanço do conhecimento sobre a biologia dos tumores. Terapias-alvo, imunoterapia e anticorpos específicos passaram a ser usados em diferentes etapas do tratamento, de acordo com as características da doença.

“São várias plataformas que hoje não são excludentes. Na verdade, elas são aditivas”, afirmou Carlos Gil Ferreira, oncologista e CEO da Oncoclínicas. Segundo ele, a combinação dessas estratégias contribuiu para o controle da doença e para a qualidade de vida dos pacientes.

Diagnóstico e tempo de acesso

A identificação das características do tumor depende, em muitos casos, de testes moleculares. Helano Freitas, oncologista clínico e líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo Cancer Center, explicou que o adenocarcinoma de pulmão passou a ser dividido em diferentes doenças, algumas raras, o que influencia a escolha do tratamento.

A distância entre os locais de coleta e análise pode atrasar o início da terapia. Em um exemplo citado por Freitas, uma amostra coletada em Maceió pode ser enviada para São Paulo, e o resultado levar 45 ou 60 dias para retornar.

Outro obstáculo está na incorporação de medicamentos ao Sistema Único de Saúde. Helaine Capucho, diretora de Acesso ao Mercado da Interfarma, afirmou que, mesmo depois da incorporação, a aquisição pode levar 37 meses. Esse intervalo corresponde a três ciclos orçamentários, segundo ela.

Custo e financiamento

A ampliação do acesso envolve discutir como os medicamentos são precificados e financiados. Para Freitas, o valor deveria considerar o benefício efetivamente entregue, e não apenas o caráter inovador do produto. Ele também apontou que alguns remédios mantêm o preço mesmo após o aumento do uso.

Carlos Gil defendeu mudanças além da criação de medicamentos e de reduções pontuais de preços. Para o oncologista, a inovação também precisa alcançar os processos de financiamento, incorporação e compra.

O debate reuniu os especialistas no painel Terapias Inovadoras Que Mudam Vidas e Ampliam o Acesso, realizado na 6.ª edição do fórum Retratos do Câncer.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5