O relatório da Polícia Federal sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, apresenta informações que entram em conflito com declarações do senador Flávio Bolsonaro. O documento aponta que o fundo norte-americano Havengate ficou inoperante por quase 4 anos antes de receber um repasse ligado à produção.
A investigação foi divulgada depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo do caso na 6ª feira (11.set.2026). Criado em 2020 nos Estados Unidos, o Havengate recebeu a primeira transferência de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em fevereiro de 2025.
De acordo com o relatório, a remessa foi feita pela Entre Investimentos e somou US$ 2.000.000. O documento descreve o fundo como juridicamente ativo, mas sem movimentação operacional até o recebimento dos recursos. A PF também afirma que a empresa realizou repasses de Vorcaro ao veículo financeiro norte-americano.
Em entrevista à GloboNews, Flávio disse que o Havengate havia sido criado exclusivamente para viabilizar o filme. Também afirmou que escolheu o fundo porque seu administrador, Paulo Calixto, era advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro e uma pessoa de confiança do deputado. Flávio negou que os recursos tivessem beneficiado o irmão nos Estados Unidos.
A análise da PF registra que o fundo havia sido criado originalmente para fins imobiliários e permaneceu sem atividade desse tipo antes de ser reativado para receber transferências relacionadas a uma produção cinematográfica. Para os investigadores, essa mudança reforça a necessidade de verificar se o perfil do veículo financeiro era compatível com o destino declarado dos valores.
Nos arquivos cujo sigilo foi retirado, uma manifestação da Procuradoria Geral da República afirma que Eduardo Bolsonaro “orientou” os recursos nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro foram procurados para comentar o relatório, mas não responderam até a publicação.







