A troca de controle da Telecom Italia coloca a estratégia da TIM Brasil em discussão, embora não deva produzir mudanças práticas imediatas na companhia brasileira. Um analista que acompanha a empresa afirmou que a principal dúvida está nas decisões do novo controlador para o médio e o longo prazo.
“A grande questão é saber qual vai ser o direcionamento estratégico desse novo controlador a médio e longo prazo”, disse o analista.
A Telecom Italia controla 68% do capital da TIM Brasil. Na Itália, a Poste Italiane passou a deter 66,6% da Telecom Italia depois de ampliar uma participação que já era de cerca de 30%. A operação vinha sendo negociada pelo menos desde março e foi realizada por meio de uma oferta pública, que avaliou a companhia com um prêmio de cerca de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior ao anúncio.
Decisões sobre o Brasil
Para o analista, será necessário entender se a Poste Italiane pretende continuar com um ativo no Brasil sem sinergia com suas operações italianas. Caso decida manter a participação, a estratégia poderá envolver a prioridade à geração de caixa ou a realização dos investimentos necessários para buscar crescimento.
A entrada em fibra óptica aparece como uma das principais questões estratégicas da TIM Brasil. A empresa já sinalizou que acompanha esse mercado, mas uma expansão exigiria a compra de ativos e novos investimentos. No Brasil, uma possibilidade considerada de interesse estratégico seria uma fusão da TIM Brasil com a V.tal, controlada pelo BTG.
Ainda não há definição sobre quando o novo controlador tomará decisões relevantes. “Pode ser que eles não queiram fazer nada grande de imediato”, afirmou o analista, indicando a possibilidade de um período de avaliação antes de movimentos maiores.
Oferta de ações na Itália
A Poste Italiane abriu uma nova janela para a compra de ações entre os dias 21 e 25 de setembro. A medida permite que acionistas que ainda não aderiram à oferta vendam seus papéis nas mesmas condições. O objetivo é alcançar pelo menos 90% do capital e retirar a Telecom Italia da Bolsa.
A combinação das empresas deverá formar uma companhia com receita combinada de € 27 bilhões, lucro operacional de € 5 bilhões e mais de 150 mil funcionários. A Poste Italiane estima € 700 milhões por ano em ganhos antes de impostos, incluindo € 500 milhões em cortes de custos e redução do custo da dívida.
A Telecom Italia é a terceira maior provedora de banda larga e telefonia móvel da Itália em número de clientes, atrás da Vodafone e da WindTre. No Brasil, a TIM Brasil também ocupa a terceira posição, depois de Vivo e Claro.








