Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Fiscal entrega R$ 250 mil por mês para permanecer em cargo, aponta investigação

Delação de Paulo Sérgio Siqueira do Prado detalhou pagamentos a André Weiss e a estrutura de influência na Receita estadual.

Fiscal entrega R$ 250 mil por mês para permanecer em cargo, aponta investigação

O fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como PP, afirmou em delação premiada que pagava R$ 250 mil por mês ao auditor André Weiss para permanecer no comando da Delegacia Regional Tributária da Capital III (DRTC III). Os pagamentos teriam começado em meados de 2023 e continuado até a aposentadoria do fiscal, em 2024.

A informação integra o inquérito da Operação Caldarium, que levou à prisão do advogado João André Buttini de Moraes e de Weiss. O Ministério Público de São Paulo investiga um esquema de propinas que, além de cobrar empresários atacadistas e varejistas, também teria exigido dinheiro de servidores interessados em continuar nos cargos.

Pagamentos e influência na administração tributária

Segundo a Promotoria, PP entregou cerca de R$ 4,5 milhões em espécie a Weiss. O dinheiro era levado em mochilas, geralmente em restaurantes da rua Ferreira de Araújo, em Pinheiros, ou em uma doceria da rua Pedroso de Moraes.

Weiss ocupava a cadeira número 3 na hierarquia da Receita estadual. Até maio passado, era chefe da Diretoria de Fiscalização Tributária, com influência sobre nomeações em todo o estado. Em agosto de 2024, foi promovido ao comando da Diretoria Executiva da Administração Tributária (DEAT).

A Promotoria avalia que essa posição permitia interferência sobre diretores, delegados regionais e outros servidores, incluindo a alocação, a permanência e a atuação funcional de fiscais. A DRTC III atendia empresários que buscavam ressarcimento antecipado de créditos tributários inflados. O advogado Buttini de Moraes faria a ligação entre esses contribuintes e a Receita estadual, negociando condições e valores.

O juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza classificou a sequência de pagamentos como um elemento de especial gravidade. Para ele, a vantagem não estava ligada a uma decisão isolada, mas à permanência do agente no local em que decisões seriam tomadas: “remunerava a própria alocação do agente público”.

Em fevereiro passado, após buscas em sua residência, PP decidiu colaborar com as investigações em troca de benefícios. Mesmo aposentado, ele teria intermediado o acesso reservado de um advogado à cúpula da Delegacia Regional III. Em mensagem de 6 de janeiro de 2026, escreveu: “Não citar o meu nome também”.

A Fazenda informou que atua com o Ministério Público, demitiu cinco auditores e afastou 17 desde o início das apurações. A defesa de Buttini de Moraes afirmou que prestará esclarecimentos às autoridades. A defesa de Weiss era procurada.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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