A exposição ao cigarro faz parte da rotina de um em cada três brasileiros: 33% dizem conviver frequentemente com pessoas que fumam em casa ou no trabalho. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice chega a 37%. Na região Sul, alcança 41%.
Os dados fazem parte da pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, realizada pelo A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados. O levantamento ouviu mais de duas mil pessoas nas 27 unidades da Federação.
Fumo e outros hábitos
O estudo também relaciona o tabagismo a outros comportamentos considerados nocivos. Entre os fumantes, 84% acumulam até quatro hábitos desse tipo, como sedentarismo e consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e frituras.
Mesmo assim, 63% dos participantes que se declaram fumantes avaliam a própria saúde como “ótima/boa”.
Na faixa etária de 16 a 24 anos, 19% afirmam ser fumantes ativos de cigarros comuns ou eletrônicos. O percentual supera a média nacional, de 17%, e os índices registrados nas demais faixas etárias.
Para Helano Freitas, médico oncologista e líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo, os jovens abaixo de 24 anos estão mais suscetíveis ao tabagismo. Ele afirma que esse grupo pode se expor tanto ao cigarro convencional quanto ao eletrônico, em uma idade média de 16 anos.
Vape e iniciação
Freitas também aponta que os sabores e as essências dos cigarros eletrônicos podem atrair crianças e adolescentes. Segundo ele, dados dos Estados Unidos e da Europa indicam que a exposição ao vape ocorre cada vez mais cedo, entre 10 e 12 anos de idade.
A médica pneumologista Jessica Polese afirma que a publicidade do produto usa cores e elementos envolventes. Ela também alerta que, embora algumas propagandas indiquem ausência de nicotina, os dispositivos têm substâncias análogas à nicotina, com riscos semelhantes aos da substância original.
Um programador de 24 anos, que não quis se identificar, contou que começou a fumar de forma social, muitas vezes associado ao consumo de álcool. O hábito chegou a um maço por dia e passou a fazer parte da rotina. Ele afirma que parou há um mês.
Entre os riscos associados ao tabagismo estão câncer de pulmão, boca, garganta, esôfago, pâncreas e bexiga. Fumar também endurece os vasos sanguíneos e aumenta o risco de infarto e derrame cerebral (AVC). A nicotina causa dependência rapidamente, enquanto o tabaco pode provocar bronquite crônica, enfisema e falta de ar.








