VINHEDO — Júlia Bossoni passou por novos procedimentos cirúrgicos na cabeça e, segundo a mãe, teve piora nos movimentos, na fala e nas reações. A jovem sofreu um traumatismo craniano depois de andar na montanha-russa Montezum, no Hopi Hari, em abril de 2026.
Danielle Rímoli afirma que a filha ficou internada entre 4 de agosto e 5 de setembro. Um dos procedimentos foi necessário porque o couro cabeludo teria aderido diretamente ao cérebro após a cirurgia de emergência. Júlia também passou por uma operação para tratar um acúmulo de líquido na cabeça, quadro conhecido como hidrocefalia.
“Ela não está como estava antes dessas cirurgias. Regrediu. Os movimentos, a fala e as reações ficaram bem limitados”, relatou Danielle. De acordo com a mãe, atualmente a jovem faz sessões diárias de fisioterapia, fonoaudiologia e eletromodulação.
Transferência para o Paraná
Júlia, de 28 anos, permaneceu internada durante 57 dias em Vinhedo, onde fica o parque. Depois, foi transferida para Londrina, no Paraná. A família afirma que o auxílio oferecido pelo Hopi Hari foi encerrado após a mudança.
Segundo Danielle, o seguro acionado pelo parque cobriu hospedagem e alimentação da família durante a permanência em Vinhedo. Ela diz que não houve assistência específica para o tratamento da filha e que os pagamentos deixaram de ser feitos após a transferência.
“Eles sumiram e não deram mais um centavo”, afirmou a mãe.
Investigação e posição do parque
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam as circunstâncias do caso. O marido de Júlia, João Pedro Bossoni Dionisio, declarou que o traumatismo craniano foi decorrente dos impactos e solavancos da atração.
O Hopi Hari afirmou que a Montezum tem certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord e que o parque segue protocolos de segurança, com treinamento dos funcionários e observância das normas nacionais para parques de diversões.
A empresa disse que Júlia apresentou um quadro de convulsão durante a passagem pela atração, recebeu atendimento no ambulatório e foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo. Também afirmou que acompanhou o tratamento e custeou as despesas da família enquanto ela permaneceu na cidade, até que a jovem tivesse condições de retornar ao local onde mora.






