PETRÓPOLIS — Criada no início do século 20, a escada Santos Dumont foi pensada para vencer desníveis em espaços reduzidos. O modelo recebeu esse nome por sua associação ao inventor brasileiro Alberto Santos Dumont, conhecido como o pai da aviação, e ficou marcado na residência A Encantada, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
A principal característica da escada é a alternância dos degraus. Os apoios para os pés não ocupam toda a largura, o que permite aumentar a inclinação e reduzir a extensão necessária para conectar os pavimentos. De acordo com o arquiteto Fernando Forte, do escritório FGMF, esse desenho acompanha o movimento das passadas.
A origem exata do modelo é objeto de diferentes versões históricas. Algumas atribuem a criação ao endereço de Santos Dumont em Paris. O arquiteto e urbanista Carlos Leite, do escritório Stuchi & Leite Projetos e diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, relaciona a popularização da peça à casa do inventor em Petrópolis.
A escada de A Encantada
A residência foi erguida em 1918, no antigo Morro do Encanto. Desenhado pelo próprio Santos Dumont com auxílio do engenheiro Eduardo Pederneiras, o chalé de estilo alpino francês foi construído em um terreno de aclive acentuado. A configuração do local dificultava a instalação de uma escada convencional.
Transformada em museu, A Encantada preserva a estrutura original, recortada em formato de raquete. A geometria faz com que o usuário comece a subida obrigatoriamente com o pé direito. Por esse motivo, o modelo também passou a ser chamado popularmente de escada de pé direito.
Como funciona e onde pode ser usada
A Santos Dumont ocupa praticamente metade da área de uma escada convencional. A inclinação costuma ficar entre 50° e 65°, e a economia de área pode variar entre 30% e 50% em relação a uma escada tradicional. Para ocupar aproximadamente metade da extensão de um modelo comum, a pisada fica em torno de 30 cm, enquanto o espelho assume o dobro da altura de uma escada convencional.
As medidas não são únicas: dependem da altura que será vencida e das condições do projeto. A solução pode ser feita em alvenaria, madeira, aço ou pedra. Madeira e estrutura metálica são comuns quando o projeto busca leveza visual e precisão construtiva, mas a escada também pode ser tratada como elemento de destaque no ambiente.
O ganho de espaço exige adaptação. Como a forma de pisar é diferente, o uso demanda atenção, principalmente na descida. O projeto deve prever corrimão ou anteparo vertical em um dos lados, iluminação eficiente e materiais antiderrapantes.
Segundo Carlos Leite, o modelo é mais indicado para usos eventuais em espaços residenciais pequenos, como acessos a mezaninos. Não é recomendado para fluxos intensos, escadas de serviço ou situações em que a pessoa precise carregar objetos.
Crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida podem ter dificuldade para utilizar a estrutura. A escada também não é indicada como principal circulação da casa nem para situações que exigem acessibilidade universal ou rotas de fuga confortáveis.







