Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Apoio evangélico a Augusto Cury amplia disputa pelo voto cristão

Influenciadores e lideranças defendem Cury por propósito e convicção, enquanto setores bolsonaristas questionam sua posição política.

Como Augusto Cury mobiliza evangélicos nas redes e incomoda o bolsonarismo
Foto: Lima Andruška/Wikimedia Commons

O crescimento de Augusto Cury nas pesquisas presidenciais abriu uma disputa dentro do campo evangélico. Influenciadores e lideranças religiosas e políticas passaram a defender seu nome como uma opção baseada em propósito, serviço e convicção. Setores bolsonaristas reagiram, associando o candidato à esquerda e questionando sua imagem entre eleitores cristãos.

No levantamento BTG/Nexus, Cury avançou de 2% para 11% das intenções de voto entre as duas rodadas mais recentes. A AtlasIntel registrou crescimento de 3% para 7,8%. Na Quaest, o candidato chegou a 10%. No Datafolha, apareceu com 8%, em terceiro lugar, atrás de Lula, com 38%, e Flávio Bolsonaro, com 33%.

A movimentação nas redes evangélicas começou antes da divulgação desses números, segundo a análise da Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque. A sétima edição do relatório Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral examinou publicações feitas entre 17 e 30 de agosto e acompanhou as narrativas na interseção entre religião e política.

Como o apoio foi construído

Uma das principais justificativas dos apoiadores é a trajetória profissional de Cury fora da política. A defesa é de que, por ser bem-sucedido, ele não precisaria de um cargo público para buscar poder ou ganhos financeiros. Essa leitura foi combinada a referências religiosas que o descrevem como alguém movido por propósito, virtude e serviço.

Uma publicação do influenciador Raphael Soares em apoio ao candidato alcançou 1,4 milhão de interações e ficou entre os conteúdos mais repercutidos no período analisado. A pastora Fabiola Melo, que reúne mais de 3 milhões de seguidores, também declarou apoio. Em resposta a uma seguidora preocupada com a possibilidade de o voto beneficiar Lula, ela afirmou que Cury é cristão e defendeu uma escolha por convicção, em vez do medo, no primeiro turno.

Portais evangélicos também retomaram a trajetória de Cury como ex-ateu que teria se tornado um cristão sem fronteiras após estudar a mente de Cristo. Outras publicações apresentaram sua entrada na política como um envio divino e trataram a mudança de voto entre eleitores de diferentes campos como um acontecimento milagroso.

O apoio chegou ao campo político com Pablo Marçal. Ele declarou voto em Cury e associou o sobrenome do candidato à cura do Brasil. Marçal destacou, entre as semelhanças entre os dois, o desejo de servir ao país e o sucesso profissional, usado como argumento de que ambos não teriam interesse em se beneficiar da máquina pública. Em uma publicação conjunta, chamou Cury de homem nobre; o candidato respondeu que sua candidatura nasceu de um propósito.

Marçal também defendeu a escolha por Cury no primeiro turno, mesmo diante do argumento de que candidaturas alternativas poderiam favorecer Lula. Para ele, essa etapa deveria ser usada para votar no candidato em que o eleitor acredita. A avaliação era de que nomes alternativos poderiam atrair indecisos e pessoas que planejavam votar em branco ou nulo. Também sustentou que diferentes candidaturas de direita poderiam ter bom desempenho e se unir contra o governo em uma eventual segunda rodada.

Reação de setores bolsonaristas

Com a ampliação do apoio, perfis bolsonaristas passaram a criticar Cury por estar em um partido que esses grupos apontam como aliado ao PT. O candidato foi apresentado como alguém de esquerda e como um possível cavalo de Troia, numa tentativa de sustentar que sua candidatura esconderia posições diferentes das percebidas por parte do público cristão.

A defesa de pacificação e união também foi usada para questionar a virtude atribuída a Cury diante de adversários políticos. Críticos recuperaram trechos de livros escritos pelo candidato. O pastor Wesley Ros, que se apresentou como ex-admirador e ex-leitor, compartilhou uma passagem de Dez leis para ser feliz em que Cury elogia o choro de Lula durante um discurso realizado em 2013.

Nesse campo de reação, Flávio Bolsonaro aparece como a alternativa considerada mais viável para derrotar Lula. A diferença entre os grupos está na orientação do voto: apoiadores de Cury enfatizam convicção e valores cristãos no primeiro turno, enquanto seus críticos priorizam a viabilidade eleitoral e questionam a posição política e a identidade religiosa mobilizada em torno do candidato.

O relatório situa a disputa na eleição de 2026, marcada pelo uso da linguagem cristã por diferentes candidaturas. No caso de Cury, os defensores recorrem a propósito, virtude, serviço e convicção. Os setores bolsonaristas, por sua vez, contestam sua legitimidade política e religiosa a partir das posições sobre pacificação e união.

A mobilização também contraria a ideia de que o voto evangélico possa ser reduzido ao bolsonarismo. Lideranças religiosas e influenciadores cristãos que apoiaram publicamente Jair Bolsonaro em 2022 ainda não haviam se posicionado nesse pleito, de acordo com a análise apresentada.

O relatório não afirma como o movimento se converterá em comportamento eleitoral. A avaliação é de que a disputa deve continuar sendo acompanhada nas redes e nas urnas, inclusive pelas afinidades entre mensagens religiosas e conteúdos motivacionais que ganharam espaço nas práticas digitais de igrejas e lideranças evangélicas.

Andréa Laís atua como assessora de campanhas da Casa Galileia, tem doutorado em Ciências Sociais e pesquisa religião. Lorena Mochel é antropóloga, trabalha como assessora de pesquisa na Casa Galileia e realiza pesquisa de pós-doutorado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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