Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Aplicativos consultam dados públicos para alertar mulheres antes de encontros

Plataformas cruzam processos e redes sociais, mas especialistas alertam que ausência de registros não garante segurança.

Aplicativos consultam dados públicos para alertar mulheres antes de encontros

Aplicativos com inteligência artificial estão sendo usados por mulheres para pesquisar possíveis riscos antes do primeiro encontro. Plataformas como Plinq e Puft.IA reúnem informações públicas de tribunais, juntas comerciais, diários oficiais e redes sociais para produzir relatórios em pouco tempo.

A Plinq informa ter mais de 63 mil cadastrados e já ter realizado mais de 70 mil pesquisas. A ferramenta usa nome e telefone para buscar dados públicos. Segundo a idealizadora, Sabrine Matos, 10% dos alertas de risco gerados estão relacionados a registros de violência doméstica. Além de processos criminais, a plataforma pode apresentar estado civil, signo, data de nascimento e outros dados disponíveis publicamente.

Como funciona a consulta

O consultor em direito digital e inteligência artificial generativa Bruno Costa Teixeira explica que as plataformas fazem uma agregação automatizada de dados. Os sistemas consultam bases abertas, tentam confirmar se os registros pertencem à pessoa pesquisada e organizam as informações em um relatório de linguagem simples.

A busca pode ser feita com nome completo e telefone, mas tem limites. Boletins de ocorrência que não se transformaram em processos, por exemplo, não aparecem quando não são públicos. Também há risco de homônimos, informações desatualizadas e interpretações equivocadas.

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo, Layla de Freitas, afirma que a reunião de dados públicos para essa finalidade é lícita. Para ela, o recurso pode funcionar como uma medida preventiva de proteção à mulher.

Ausência de registros não indica segurança

Layla ressalta que medidas protetivas e processos de violência doméstica frequentemente tramitam sob sigilo. Por isso, uma consulta sem resultados não comprova que a pessoa não oferece risco. Os sinais comportamentais também devem ser considerados, como controle excessivo, isolamento da rede de apoio, ciúme desproporcional e explosões de agressividade verbal.

A advogada Sandra Araujo observa que nem todas as mulheres podem ou querem pagar por uma plataforma. Foi o caso de Helena, que prefere não usar seu nome real. Aos 37 anos, ela começou a conversar com um rapaz e, com a ajuda de um amigo advogado, pesquisou seus antecedentes na internet. Encontrou processos baseados na Lei Maria da Penha e uma medida protetiva. Cinco anos depois, continua fazendo consultas antes de encontros.

A publicitária Jessica Soma também recorreu a pesquisas manuais. Depois de sair de um casamento de 18 anos, passou a usar aplicativos de relacionamento e buscava informações sobre as pessoas na internet para se sentir mais segura. Ela consultava tribunais e redes sociais, embora conhecesse aplicativos de checagem.

Uso dos dados exige cuidado

A consulta para fins de segurança é considerada lícita, mas o compartilhamento do relatório em grupos, a exposição nas redes sociais ou o uso das informações para perseguir alguém podem gerar responsabilização. Bruno Teixeira afirma que essas condutas podem envolver difamação, dano moral e crime de perseguição.

A descoberta de um processo ou de uma medida protetiva não significa, por si só, que seja necessário procurar as autoridades. Se houver ameaça, perseguição ou assédio, os canais indicados são a Delegacia da Mulher, o telefone 180 e, em emergências, o 190.

As plataformas devem respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados e usar as informações dentro de limites como necessidade e adequação ao objetivo. O resultado, portanto, é um recurso de prevenção, não um atestado de segurança.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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