ESPÍRITO SANTO — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de um lote falsificado do medicamento Phesgo, usado no tratamento do câncer de mama, e de lotes irregulares de toxina botulínica. A medida levou médicos a alertarem para os riscos de produtos sem garantia de origem.
A Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos comunicou à Anvisa que encontrou, no mercado formal, unidades do Phesgo com características diferentes das do produto original. A determinação atinge exclusivamente o lote B5011B05, fabricado em junho de 2025.
Para a oncologista Edelweiss Soares, do Hospital Santa Rita, a falsificação pode afetar a eficácia e a segurança do tratamento. O produto pode não conter a substância necessária, apresentar alteração na dosagem ou trazer impurezas. Com isso, segundo a médica, o tratamento pode não produzir o efeito esperado sobre as células doentes.
A oncologista Juliana Alvarenga afirmou que o desconhecimento sobre a composição impede saber se o medicamento tem o princípio ativo esperado. Caroline Secatto, da Rede Meridional, disse que, em um produto falsificado, não é possível saber exatamente o que está sendo aplicado no paciente.
Lotes de toxina botulínica
A apreensão também envolve a toxina botulínica Dysport. Ricardo Tiussi, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Espírito Santo, afirmou que não é possível determinar com precisão o conteúdo de um frasco irregular.
Segundo ele, o produto pode ter concentração diferente da esperada, conter outras substâncias, estar contaminado ou não ser estéril. Essas condições foram associadas pelo especialista a riscos de reações alérgicas, intoxicação e infecção.
A Beaufour Ipsen Farmacêutica declarou que não reconhece três lotes: P08191, cuja validade vai até abril de 2029; P08192, válido até maio de 2029; e P22368, com validade até fevereiro de 2029.








