O uso de toxina botulínica na região anal tem aplicações reconhecidas na medicina, mas não deve ser tratado como uma solução geral para mau odor, suor ou dor durante o sexo. A avaliação é do coloproctologista Danilo Munhóz, que explicou o procedimento chamado de “cutox”.
Rico Melquiades anunciou nas redes sociais, nessa quarta-feira (16/9), que havia realizado uma aplicação estética no ânus. Segundo o influenciador, o objetivo era relaxar a musculatura e reduzir o suor e o cheiro na região. “Realizei o cutox. É para não feder”, afirmou.
Em quais casos a toxina é usada
De acordo com Danilo, a aplicação pode ser feita na região anal ou perianal. Na coloproctologia, a principal indicação ocorre quando há contração excessiva do esfíncter anal, especialmente em quadros de fissura anal crônica.
O relaxamento temporário da musculatura pode diminuir a dor e favorecer a cicatrização em pacientes selecionados. O médico ressalta, porém, que essa indicação é diferente das promessas associadas ao procedimento nas redes sociais.
A toxina botulínica também pode reduzir temporariamente a atividade das glândulas sudoríparas. Por isso, há relatos de uso contra suor excessivo na região perianal. Isso não significa, segundo o especialista, que o odor anal seja normalmente causado pelo excesso de suor nem que o botox seja um tratamento habitual para esse problema.
Causas do mau odor precisam ser investigadas
O cheiro pode estar relacionado à higiene, umidade, escape de secreção ou fezes, dermatites, infecções e outras doenças. A orientação é identificar a causa antes de considerar a aplicação da substância.
Danilo também afirma que é inadequado apresentar o “cutox” como forma de evitar dor no sexo anal. A toxina pode ajudar em situações específicas de hipertonia ou espasmo da musculatura, mas a dor durante a relação não deve ser considerada normal nem tratada automaticamente com botox.
Fissuras, pequenos traumas, inflamações e outras condições precisam ser descartados. Para o médico, a substância pode ser útil quando bem indicada, desde que usada após avaliação coloproctológica e com indicação individualizada.







