BELÉM — A poeta Telma Cunha será uma das homenageadas da 30ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, marcada para 2027. Autora de sete livros, ela dividirá a homenagem com o Mestre Pinduca. Nascida em São Francisco do Pará, no nordeste do Pará, Telma tem 50 anos e vive em uma cadeira de rodas.
A escritora teve poliomielite com um ano e seis meses e só teve acesso à educação formal aos 20 anos. Durante a infância e a juventude, encontrou nos livros uma forma de conhecer o mundo. Ela afirma que a literatura teve papel central na formação de sua identidade como autora e define sua profissão como a palavra.
“Eu adoro brincar com as palavras”, diz Telma. Para ela, a poesia pode ser encontrada em diferentes aspectos da vida e também funciona como uma maneira de se colocar no mundo. Embora tenha escolhido trabalhar principalmente com poemas, a escritora também circula por outros gêneros literários.
Livros e trajetória
Telma publicou “Folhas Soltas”, de crônicas, e “Pé ante Pétalas”, de aldravias, pela Editora Papachibé. Também lançou “Voo de Borboleta”, de poesia, pela Editora AMO; “Sob os Lençóis de Eros”, de poesia erótica, pela Editora Cromos; e “A Cadeira Mágica”, conto autobiográfico infantojuvenil sobre literatura inclusiva.
Completam a produção “Pérola Oculta e outros poemas” e “A menina dos Olhos de Arco-Íris”, conto infantojuvenil de literatura inclusiva, ambos publicados pela Editora Paka-Tatu.
O primeiro livro surgiu depois de um encontro com o escritor e poeta Antônio Juraci Siqueira, durante uma edição da Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em 2012. Após ler os poemas de Telma, Juraci preparou e editou “Voo de Borboleta”.
Moradora do bairro da Marambaia, a escritora vive com a mãe, Lucimar de Jesus, e a cachorra Estrela. O jardim da casa é um dos espaços onde escreve e lê autores como Max Martins, Antônio Tavernard, Haroldo Maranhão, Antônio Juraci Siqueira e Ruy Barata. Ela também recorda o pai, José da Cunha.
Literatura e inclusão
Os livros de Telma são adotados em escolas do Pará, e a autora participa de encontros com estudantes. A própria experiência escolar, iniciada apenas aos 20 anos, influencia a relação que mantém com a educação e com os leitores.
A escritora afirma que sua produção é atravessada pela condição de mulher com deficiência. Por isso, decidiu abordar inclusão e acessibilidade nos textos voltados ao público infantil. Para Telma, a presença de uma pessoa cadeirante em uma palestra ou no palco também evidencia questões sociais e políticas.
“Ser uma escritora no Brasil é um ato político; mas ser poeta, cadeirante e nortista: É resistência!”, afirma.
A escolha para a homenagem de 2027 foi atribuída por Telma aos professores que levam seus livros às escolas. Ela também agradeceu ao secretário de Cultura, Bruno Chagas, pela indicação e associou a feira à inclusão e à celebração da diversidade humana.
Entre os poemas que marcam sua trajetória está “Meu Grito”, escrito quando ainda era criança. O texto reivindica espaço, direitos e cidadania, e passou a ser usado por professores em ações relacionadas à inclusão.







