PARÁ — A estiagem associada ao El Niño pode reduzir a oferta de mandioca, açaí e frutas produzidos no estado e pressionar os preços ao consumidor. A avaliação é da pesquisadora Lucietta Martorano, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Quando a produção não atende à demanda, pode ser necessário buscar alimentos em outras regiões. Esse deslocamento tende a elevar os valores pagos pelos consumidores, segundo a pesquisadora.
A falta de água também pode afetar produtores de maior escala que não tenham sistemas de irrigação. Sem água suficiente no solo, as plantas não conseguem desenvolver todo o potencial produtivo, o que pode diminuir a oferta de alimentos.
Irrigação durante a seca
A Embrapa desenvolve projetos voltados à manutenção da produção em períodos secos, como o IrrigaPote. Lucietta citou produtores que usaram a solução durante a estiagem do El Niño de 2023 para 2024.
Em Capitão Poço, produtores que cultivaram limão com irrigação conseguiram vender a saca pelo dobro do preço, porque mantiveram a oferta enquanto outros produtores não tinham o produto. Em Santarém, uma produtora conseguiu manter a produção de acerola e vender durante a seca por ter água disponível com o IrrigaPote.
Segundo a pesquisadora, essas são estratégias usadas por produtores de base familiar. Ela também afirmou que os açaizais nativos podem deixar de produzir durante o período seco, enquanto os açaizais cultivados representam outra estratégia de produção.
A mandioca também pode ser prejudicada pela falta de água no solo. Como o tubérculo não se desenvolve com água insuficiente, a produção de farinha pode cair e os preços podem subir. A pesquisadora resumiu o efeito sobre o alimento: “A nossa farinha vai aumentar de preço”.







