COPACABANA — O artista Rodrigo Castro de Jesus, conhecido como Rodrigo Cass, morreu em um acidente no mar, na praia de Copacabana. A morte ocorreu no auge de sua carreira e de sua realização pessoal.
Nascido em São Paulo, em 1983, Rodrigo viveu de 2000 a 2008 em um mosteiro da Ordem dos Carmelitas, onde estudava para ser padre. Nesse período, sua rotina era marcada por silêncio, oração e arte. Foi ali que começou a pintar e aprendeu a produzir ícones, imagens sacras da tradição bizantina.
Mesmo depois de deixar a ordem, Rodrigo continuou fazendo retiros a cada dois meses. Em 2006, graduou-se em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina. Nos dois anos seguintes, estudou Filosofia e Teologia na Faculdade Jesuíta, em Belo Horizonte.
Da tradição religiosa à arte contemporânea
A formação nos ícones influenciou a geometria, a contenção formal e o cuidado com as cores presentes em seu trabalho. Na tradição bizantina, essas imagens seguem regras de representação e funcionam como uma ponte entre o mundo visível e o espiritual, segundo a explicação que o próprio artista gostava de dar.
Depois de deixar o mosteiro, Rodrigo substituiu as narrativas bíblicas por formas geométricas, superfícies de linho, concreto, papel, fotografia e objetos cotidianos. Também passou a trabalhar com pintura, escultura, instalação e vídeo, mantendo a economia do gesto e a atenção à imagem.
Seu trabalho começou a chamar atenção no começo dos anos 2010. A carreira se consolidou com participações em bienais, festivais e exposições internacionais. No Brasil, era representado pela Fortes D’Aloia Gabriel, que o descobriu, e, nos Estados Unidos, pela galeria Anthony Meier. Obras suas integram coleções institucionais como as do Pompidou e do Thyssen-Bornemisza, em Madri.
Neste mês, Rodrigo ganhou destaque no 39º Panorama da Arte Brasileira — Depois que tudo foi dito, no MAM São Paulo, com curadoria de Diane Lima.
Rodrigo deixa a mãe, irmãos, o marido, Paulo, além de familiares, amigos, galeristas, colecionadores e pessoas que conviveram com ele. Sua trajetória foi marcada pela transposição da experiência espiritual para uma linguagem artística própria e pela presença descrita como delicada, simples e generosa.








