PARÁ — A regularização da atividade pesqueira foi apresentada como uma das principais demandas do setor ao ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, durante reunião nesta quarta-feira (23), na Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). Também foram discutidas medidas para reconstruir e modernizar a cadeia produtiva.
Representantes da indústria pesqueira paraense entregaram ao ministro um memorial técnico-institucional com gargalos identificados e propostas para ampliar a capacidade produtiva e melhorar as condições de desenvolvimento da pesca e da aquicultura no estado. O encontro reuniu lideranças do setor, a Fiepa e o Sindicato das Indústrias de Pesca do Pará (Sinpesca).
Para o presidente da Fiepa, Alex Carvalho, a aproximação entre o setor produtivo e o poder público pode contribuir para enfrentar problemas da atividade. A entidade e o Sinpesca também pretendem colaborar com o Ministério da Pesca na formulação de políticas para o desenvolvimento sustentável no Pará e na Região Norte.
O presidente do Sinpesca, Apoliano Nascimento, afirmou que a regularização está entre os temas mais sensíveis para o segmento. “Como sindicato, a expectativa é muito boa, até pela sensibilidade do ministro em acolher as nossas demandas”, declarou.
Mudanças climáticas e apoio aos pescadores
Durante a reunião, o ministro defendeu maior aproximação entre o Governo Federal e os representantes da cadeia produtiva paraense. Segundo dados apresentados por Araujo, o Pará tem mais de 435 mil pescadores registrados, aproximadamente 1.300 aquicultores e 2.300 embarcações.
Os participantes também discutiram os possíveis efeitos das mudanças climáticas sobre a pesca na Amazônia. Araujo citou a possibilidade de um El Niño de intensidade moderada a forte em 2026 e os impactos do fenômeno sobre o regime de chuvas e os níveis dos rios.
Pelo menos 222 mil dos 435 mil pescadores registrados no Pará podem ser afetados pelas consequências das mudanças climáticas, conforme a estimativa apresentada pelo ministro. A redução do nível dos rios pode prejudicar a mobilidade dos trabalhadores e a atividade econômica em comunidades que dependem dessas vias para deslocamento.
O Governo Federal discute um plano de enfrentamento com investimentos de R$ 1,3 bilhão, envolvendo infraestrutura, agricultura, agricultura familiar, transportes, pesca e aquicultura. Entre as alternativas avaliadas estão um auxílio extraordinário para pescadores, semelhante ao adotado durante as secas de 2023 e 2024, e a antecipação do seguro-defeso.
“Foi uma ótima oportunidade para que a gente pudesse unir forças e construir um plano estratégico pujante para a pesca e aquicultura paraense, mas com participação, diálogo e construção coletiva”, afirmou Araujo.







