PARÁ — O setor mineral movimentou US$ 8,7 bilhões em exportações no Pará entre janeiro e junho de 2026, alta de 23,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado correspondeu a 66,7% das vendas externas do Estado no período, segundo levantamento do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), divulgado na 75ª edição do Simineral ON.
O cobre foi o principal responsável pelo avanço. As exportações do metal cresceram cerca de US$ 1,2 bilhão em relação ao primeiro semestre de 2025. Com esse desempenho, o Pará respondeu por 99,77% das exportações brasileiras de cobre nos primeiros seis meses do ano.
No total das exportações minerais do país, a participação paraense foi de 34,6%. A China continuou como o principal mercado consumidor, com 46,6% das vendas externas de minerais do Estado, o equivalente a cerca de US$ 4 bilhões.
Arrecadação e municípios
A Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) gerou R$ 1,49 bilhão para o Pará no primeiro semestre. O valor representa aumento de 3,5% sobre o mesmo período de 2025.
O minério de ferro respondeu por 68,7% da arrecadação, apesar de uma redução de 5%. Já o cobre avançou 45,8% e passou a representar 21,8% da CFEM recolhida no Estado.
Canaã dos Carajás concentrou R$ 660,4 milhões, ou 44,2% do total estadual. A arrecadação do município cresceu 8,7% frente ao primeiro semestre de 2025. Tucumã e Curionópolis registraram as maiores altas percentuais entre os municípios destacados, com 144,5% e 114,9%. Marabá teve crescimento de 28,9%, enquanto Parauapebas apresentou queda de 20,6%.
Empregos e produção mineral
A indústria extrativa mineral encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo líquido de 963 empregos formais, uma alta de 62,1% ante o mesmo período do ano passado. A extração de minerais metálicos respondeu por 872 dessas vagas.
Em junho, o Pará tinha 30,2 mil trabalhadores com vínculos formais na indústria extrativa mineral, o equivalente a 11,4% dos empregos formais desse segmento no país. Parauapebas reunia 8.434 vínculos, seguida por Canaã dos Carajás, com 5.744, e Marabá, com 4.153. Somados, os três municípios representavam 60,6% dos empregos formais da atividade no Estado.
Em 2025, o Pará respondeu por 92,7% da produção brasileira de bauxita, 75% do caulim, 73,5% do cobre, 58,4% do manganês e 36,9% do minério de ferro. As substâncias selecionadas alcançaram R$ 103,6 bilhões em valor no Estado. O minério de ferro representou R$ 66,3 bilhões, enquanto cobre e ouro tiveram altas de 41,6% e 176,6%, respectivamente.
Relatório reúne indicadores ESG
A edição do Simineral ON também apresentou os primeiros resultados da Carta Santarém, que deu origem ao Relatório ESG 2026 — Retrato da Mineração na Amazônia. O documento reúne informações ambientais, sociais e de governança das operações minerárias.
Os dados foram enviados voluntariamente por 10 empresas associadas ao Simineral e complementados por bases públicas da ANM, IBGE, Fapespa, Semas e SIGBM. Conforme o Simineral, o Pará produziu mais de 300 milhões de toneladas de minerais em 2025, cerca de 27% do volume nacional. O valor econômico foi estimado em aproximadamente R$ 103 bilhões, e os investimentos sociais obrigatórios e voluntários das empresas associadas chegaram a R$ 2 bilhões.
Para Anderson Baranov, presidente do Conselho Diretor do Simineral, “A Carta Santarém é um ponto de partida”. A elaboração técnica ficou a cargo da Proactiva Results, com referências dos GRI Standards, IFC Performance Standards, ICMM Mining Principles e GHG Protocol.
O V Congresso Técnico do Simineral ocorreu nos dias 5 e 6 de agosto, em Canaã dos Carajás, com mais de 250 participantes, 24 palestrantes e representantes de 77 instituições. Entre os temas estavam desenvolvimento local, ouro responsável, licenciamento ambiental, segurança jurídica e minerais críticos e estratégicos.







