BRASÍLIA — Segurança jurídica, estabilidade econômica, projetos bem estruturados e a união entre recursos públicos e privados foram apontadas como condições para ampliar os investimentos em infraestrutura no Brasil. A avaliação foi apresentada durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta terça-feira (15), em Brasília (DF), que marcou a divulgação do estudo Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil.
Investimento ainda está abaixo do necessário
O levantamento registra que os aportes cresceram nos últimos anos, mas permanecem abaixo do nível considerado necessário para modernizar a infraestrutura brasileira. Em 2024, o país investiu R$ 266,8 bilhões, valor equivalente a 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB).
A estimativa apresentada no estudo é de que seriam necessários investimentos anuais próximos de 4,65% do PIB durante aproximadamente duas décadas. A meta seria formar um estoque de infraestrutura compatível com as necessidades do país.
Do total aplicado em 2024, R$ 188,1 bilhões vieram do setor privado, correspondendo a 70,5%. Os investimentos públicos somaram R$ 78,6 bilhões.
Alex Carvalho, presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da CNI (Coinfra/CNI) e da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), defendeu que o tema seja tratado como uma agenda de longo prazo ligada à competitividade brasileira. Para ele, o avanço depende de condições para atrair capital privado, incluindo demanda, capacidade de oferta, mercado consumidor e segurança jurídica.
“A competitividade está diretamente ligada à infraestrutura e à eficiência logística”, afirmou Carvalho.
O economista Cláudio Frischtak, sócio da Inter B Consultoria e responsável pelo estudo, destacou que a elevação recente da taxa de investimento não eliminou a diferença entre o volume aplicado e o necessário. Segundo ele, a modernização exige esforço contínuo e sustentado por cerca de duas décadas.
Transporte e logística concentram maior lacuna
Roberto Guimarães, diretor de Planejamento e Economia da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), afirmou que o setor privado ganhou protagonismo após a criação do PPI, enquanto a participação pública diminuiu. Ele também apontou sinais de recuperação dos investimentos públicos e defendeu a análise conjunta das diferentes fontes de recursos.
Os dados apresentados pela ABDIB mostram que transporte e logística têm a maior diferença entre o investimento realizado e a necessidade estimada. O segmento recebeu R$ 79,5 bilhões, mas precisaria de R$ 287,9 bilhões. A lacuna calculada é de R$ 208,4 bilhões.








