Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Carne bovina sobe no Pará após queda no abate e restrições à exportação

Quilo da carne de primeira chegou a R$ 46,44 em Belém, com alta de 17,30% em 12 meses, aponta o Dieese-PA.

Carne bovina sobe no Pará após queda no abate e restrições à exportação

A redução das exportações de carne bovina para a China e as barreiras sanitárias impostas pela União Europeia diminuíram o ritmo de abate no Pará e reduziram a oferta no mercado local. Em agosto de 2026, o quilo da carne de primeira chegou a R$ 46,44 na capital, acumulando alta de 17,30% em 12 meses. No mesmo período, a cesta básica subiu 3,17%.

Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese-PA). O estado tem o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 25,6 milhões de animais em 2024, equivalentes a 10,7% do total nacional. Mesmo com o tamanho do plantel, os preços nos açougues não diminuíram.

A tarifa adicional de 55% sobre o excedente da cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas levou os frigoríficos a reduzir a produção. Na comparação entre um mês padrão de 2025 e julho de 2026, o número de animais abatidos caiu em 90 mil cabeças no estado. A indústria paraense passou a operar com 40% de ociosidade.

Daniel Freire, presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Pará (Sindicarne), afirma que a dificuldade para exportar cortes específicos compromete o processamento do animal inteiro. “Como a carne é um produto perecível, se não há colocação para os 300 quilos que um boi gera, você deixa de abater”, disse.

A menor atividade dos frigoríficos afetou a disponibilidade de filé mignon, picanha, contrafilé e alcatra. O setor também não tem acesso habilitado a mercados como Estados Unidos e Chile. Segundo Freire, a questão envolve fatores diplomáticos e políticos, e não apenas o controle sanitário.

Efeito nos açougues e nas refeições

Com o atacado mais caro, comerciantes reduziram os pedidos para evitar perdas. A diminuição das compras também fez cair a quantidade de peças disponíveis nos estabelecimentos, principalmente em relação ao filé em datas comemorativas, além de picanha e alcatra.

O açougueiro Ademir Oliveira, permissionário no Mercado da Bandeira Branca, no bairro do Marco, em Belém, relata que a demanda caiu enquanto os preços aumentaram. A mudança afetou a rotina de compra e venda no comércio local.

O aumento dos insumos também atingiu profissionais que trabalham com refeições. Lucilene Nepomuceno, 47, reduziu a produção de 300 para 250 marmitas por dia. Para buscar uma economia de cerca de 20%, ela passou a comprar ingredientes no bairro da Pedreira, depois de sair do Curió-Utinga. O rabo de boi, que antes custava R$ 12, chegou a R$ 36.

A empresária Alessandra Canto, 45, enfrentou quatro reajustes de fornecedores em 2026. O corte paulista passou de R$ 36 em janeiro para R$ 42, enquanto a língua bovina subiu de R$ 8 para quase R$ 30. A marmita passou a custar R$ 19, com redução nas porções.

Segundo o Dieese-PA, a compra dos 4,5 kg de carne previstos na cesta básica custa, em média, R$ 208,98. O valor corresponde a 12,89% do salário mínimo e exige cerca de 28 horas e 22 minutos de trabalho no mês.

Para Everson Costa, supervisor técnico do Dieese-PA, a redução do preço ao consumidor depende da permanência da carne no mercado brasileiro, da manutenção dos níveis de abate e do repasse de eventual queda no atacado pelo varejo.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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