Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

AI deve ampliar a criação, mas exige regras para o trabalho artístico

Jeffrey Katzenberg defende que a inteligência artificial avance com consentimento, crédito e remuneração para os criadores.

AI deve ampliar a criação, mas exige regras para o trabalho artístico

Jeffrey Katzenberg, fundador da WndrCo e da DreamWorks Animation, afirma que a inteligência artificial pode ampliar a indústria criativa, mas não substitui o papel humano na criação de histórias. Para ele, o principal debate não é escolher entre usar ou rejeitar novas ferramentas, e sim definir as regras para seu uso.

Em 2023, Katzenberg disse que ferramentas de AI poderiam reduzir em até 90% o tempo e o custo de produzir animações de alto nível dentro de três anos. A previsão provocou preocupação entre profissionais da área, especialmente em Hollywood, onde a tecnologia é vista como uma ameaça ao trabalho de artistas.

Tecnologia muda o trabalho, mas não elimina o ofício

Katzenberg compara a atual transformação com mudanças anteriores no cinema. Em 1906, o compositor John Philip Sousa criticou o fonógrafo porque máquinas reproduziam suas composições sem que ele recebesse pagamento. A mobilização contribuiu para a criação da Lei de Direitos Autorais de 1909.

O som também eliminou o trabalho de músicos que tocavam nos cinemas, mas abriu espaço para musicais, trilhas sonoras, efeitos e design de som. Na avaliação de Katzenberg, a perda de empregos foi real, assim como a expansão das possibilidades artísticas.

A mesma lógica orientou sua atuação na Disney, em meados da década de 1980. Ao liderar a divisão de animação, ele ajudou a desenvolver o Sistema de Produção de Animação por Computador, conhecido como CAPS, em parceria com a Pixar. A mudança substituiu células pintadas à mão por CGI e foi usada em filmes como A Pequena Sereia, A Bela e a Fera, Aladdin e O Rei Leão.

Na DreamWorks, a decisão de abandonar a animação desenhada à mão também provocou perdas para profissionais, embora alguns tenham se adaptado às novas ferramentas. Para Katzenberg, o que permanece não é o instrumento, mas o gosto, a imaginação e a capacidade de fazer o público se envolver com os personagens.

Consentimento e remuneração estão no centro

O empresário diferencia raciocínio e criação. A AI consegue avaliar, otimizar e identificar padrões, mas, segundo ele, ainda não demonstra empatia, intenção ou a criatividade de uma pessoa que tenta comunicar algo próprio. “Não é o como, é o porquê”, resumiu George Lucas ao tratar da importância da finalidade por trás de uma obra.

Katzenberg defende que os modelos de AI sejam desenvolvidos com participação dos contadores de histórias, incluindo crédito, consentimento e compensação. Ele também afirma que profissionais de Hollywood precisam aceitar que a tecnologia continuará existindo e concentrar esforços na negociação das condições de uso.

A discussão, em sua visão, repete questões presentes em disputas anteriores: quem pode usar o trabalho criativo, com qual autorização e mediante qual pagamento. Os mesmos princípios apareceram nas greves de roteiristas e atores ocorridas há dois anos.

Mais filmes e novas formas de contar histórias

Katzenberg prevê que a redução de barreiras e custos permitirá a produção de mais filmes e dará aos estúdios maior margem para assumir riscos. Ele compara esse possível cenário à evolução da animação, que deixou de ser tratada como um nicho e se tornou uma das formas de contar histórias mais populares e lucrativas.

A conclusão é que o futuro da indústria depende da combinação entre tecnologia e criatividade humana. As ferramentas podem ampliar a tela, mas, para Katzenberg, são os artistas que dão sentido às histórias e definem o que vale a pena ser contado.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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