Contagem, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Finanças da casa

Ação do MPT cobra medidas após problemas estruturais em depósito do GBarbosa

Processo aponta uso de escoramento provisório, restrição de cargas e divergências sobre treinamento para situações de colapso estrutural.

Ação do MPT cobra medidas após problemas estruturais em depósito do GBarbosa

O Ministério Público do Trabalho (MPT) levou à Justiça uma ação civil pública contra a Cencosud por condições estruturais no depósito de uma unidade do GBarbosa, em Itabaiana, no interior de Sergipe. O órgão pede R$ 200 mil por danos morais coletivos e medidas preventivas para trabalhadores que atuavam ou circulavam no local.

Laudos reunidos no processo indicaram que o escoramento era necessário para evitar risco iminente de colapso. A engenharia contratada pela própria empresa identificou corrosão nas armaduras da laje e condicionou a segurança à manutenção das escoras e ao controle do peso armazenado. O perito do MPT chegou à mesma conclusão. Já a Auditoria-Fiscal do Trabalho classificou a operação como de “monitoramento e uso controlado” enquanto o reparo definitivo não fosse concluído.

Cronologia das obras

A investigação começou após uma denúncia recebida pelo MPT em 21 de junho de 2025. O relato informava que o depósito funcionava havia aproximadamente um ano com escoramento e era usado por empregados do supermercado, trabalhadores terceirizados e promotores de vendas de empresas fornecedoras. Alguns promotores teriam sido orientados pelos empregadores a não entrar no espaço.

Antes da abertura do inquérito, a Cencosud enviou à Defesa Civil, em 26 de maio, um plano que previa escoramento metálico provisório, retirada de uma empilhadeira e de cargas mais pesadas, além da contratação de uma empresa especializada.

O inquérito civil foi instaurado em 25 de junho. No dia seguinte, a Cencosud formalizou com a Conceito Engenharia e Serviços um contrato de R$ 341,9 mil para recuperação e reforço estrutural. A ação foi ajuizada pelo MPT em 17 de setembro de 2026.

A companhia informou que concluiu as obras em 17 de outubro de 2025. Em março de 2026, pediu o arquivamento do caso e não assinou o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público. O acordo previa controle rigoroso das cargas, rotas de fuga desobstruídas, treinamentos periódicos, comunicação dos riscos e proibição de trabalho em áreas inseguras.

Na audiência de 17 de março deste, a empresa afirmou que as providências tinham sido adotadas com rapidez e boa-fé e considerou o TAC desnecessário. O MPT não concordou e apresentou o caso à Justiça.

Treinamento e pedidos do Ministério Público

Outro ponto discutido no processo é a preparação dos funcionários para situações de risco estrutural. O plano de segurança da Cencosud previa treinamento para trabalhadores diretos e indiretos sobre desabamento, prevenção e evacuação.

Em setembro de 2025, a empresa treinou 50 participantes e depois entregou ao MPT listas de presença, fotografias e o conteúdo utilizado. A análise técnica do órgão, porém, apontou que o material se concentrava em prevenção e combate a incêndio e não tinha módulo específico sobre colapso estrutural.

A Cencosud contestou a avaliação. A empresa afirmou que o treinamento tratou de evacuação, comunicação de riscos, responsabilidades dos trabalhadores e cadeia de comando, atendendo ao plano de segurança e às determinações do Ministério Público.

Além da indenização, o MPT pede treinamentos anuais, durante três anos, sobre sinais de fadiga estrutural, risco de colapso e evacuação. Também solicita laudo anual de inspeção do prédio no mesmo período, controle permanente das cargas, rotas de fuga livres e comunicação dos riscos aos trabalhadores. A multa proposta é de R$ 5 mil por obrigação descumprida, acrescida de R$ 500 por trabalhador atingido.

Nos autos, a Cencosud sustenta que não havia risco iminente de desabamento, que adotou as medidas técnicas necessárias e que a recuperação foi concluída. A empresa também afirma que os pontos foram atendidos em outubro de 2025 e que apresentará seus esclarecimentos no processo judicial. “A companhia reafirma seu compromisso com a melhoria contínua de seus processos e com a promoção de um ambiente de trabalho seguro.”

A Cencosud Brasil Comercial, empresa do grupo que concentra bandeiras como o GBarbosa, tem capital social superior a R$ 4,32 bilhões, conforme informação destacada pelo MPT. A companhia mantém 268 lojas de varejo em oito estados do Brasil.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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