As plantas que fizeram parte das casas nos anos 1980 estão de volta à decoração. Em vasos de barro, suportes de macramê e outros cantos da casa, elas reaparecem associadas à personalidade, à memória e ao afeto — além de continuarem procuradas por características como resistência e facilidade de cultivo.
Para Palloma Ferraz, sócia-proprietária da Flora Urbana Indaiatuba, as plantas eram integradas à rotina familiar e podiam permanecer por anos na mesma casa. A multiplicação por mudas, compartilhadas com filhos, vizinhos e amigos, também fazia parte desse costume. A paisagista Flavia Alem afirma que o cuidado costumava ser aprendido pela observação de mães, avós e vizinhos.
Espécies que voltaram à decoração
A samambaia aparece entre as folhagens mais associadas ao período, principalmente em vasos suspensos de varandas e salas de estar. De acordo com Flavia, ela remete imediatamente àquela época. Para Palloma, o volume e o efeito de floresta ajudam a explicar o retorno da espécie aos ambientes atuais.
A jiboia continua popular por ser versátil, resistente e adequada para prateleiras, estantes e suportes suspensos. A costela-de-adão, conhecida pelas folhas grandes e recortadas, voltou a se destacar em ambientes internos e externos por causa do visual tropical e imponente.
A espada-de-são-jorge mantém espaço entre as escolhas decorativas por tolerar diferentes condições de luz e rega. A espécie também é procurada pela simbologia de proteção. A comigo-ninguém-pode tem associação semelhante, mas hoje o conhecimento sobre sua toxicidade faz com que algumas pessoas tenham mais cuidado com o local onde ela será colocada ou evitem seu cultivo quando há crianças ou animais de estimação.
O antúrio também retomou espaço, inclusive com novas variedades e cores. Já a renda-portuguesa e a dama-da-noite são procuradas, em muitos casos, por pessoas que tiveram essas plantas no passado ou que as associam à mãe, à avó e a outros parentes. No caso da dama-da-noite, o perfume também pode despertar lembranças.
A palmeira-areca é apresentada como uma opção para preencher cantos e criar divisórias naturais. Outras folhagens de folhas brilhantes e crescimento em cascata também se adaptam a prateleiras, suportes e jardins verticais. Entre as plantas lembradas do período estão ainda espécies de folhas em formato de coração e as marantas, que ocupavam mesas de centro e aparadores com seus desenhos geométricos e versos arroxeados.
Do verde tradicional ao Urban Jungle
A forma de usar plantas dentro de casa mudou. Flavia explica que, nos anos 80, a escolha costumava considerar principalmente a beleza, a resistência e a adaptação a um determinado canto. No Urban Jungle, as plantas passam a integrar a arquitetura e a decoração, com atenção a volume, textura, cores, alturas, iluminação e vasos.
A rotina atual também influencia essa escolha. Muitas pessoas moram em apartamento, trabalham fora e têm pouco tempo disponível. Ao mesmo tempo, há mais acesso a informações para selecionar espécies conforme a iluminação, a ventilação e a rotina de cada ambiente.







