SÃO PAULO — Períodos prolongados de chuva podem deixar o substrato encharcado, acumular água em vasos e reduzir a circulação de ar. Essas condições favorecem fungos, podridões, lesmas e caracóis em jardins, quintais, varandas e plantas cultivadas dentro de casa.
Manchas, folhas amareladas, queda de folhas e murcha mesmo com o solo molhado são sinais de que algo não vai bem. Brotos danificados, recortes irregulares nas folhas e rastros brilhantes também podem indicar a presença de lesmas e caracóis. Ainda assim, nem todo sintoma é causado por uma praga ou doença.
A planta pode estar sofrendo com encharcamento, falta de luz, solo compactado, excesso de adubo ou raízes enfraquecidas. Cochonilhas, pulgões e outros insetos também podem surgir quando há pouca ventilação, iluminação inadequada ou desequilíbrio nutricional. Plantas novas ainda podem levar organismos para o jardim.
“Folhas manchadas, murchas ou danificadas podem ter causas variadas, cada uma exigindo uma resposta específica”, explica a paisagista Simone Arthur Nascimento, criadora do Jardim do Bicho – Paisagismo Seguro.
Cuidados depois da chuva
O excesso de água reduz a disponibilidade de oxigênio para as raízes. Dependendo da espécie e do tempo de exposição, a planta pode perder vigor, amarelar, murchar ou apresentar apodrecimento nas raízes e na base do caule. A umidade nas folhas, associada à ventilação insuficiente, também facilita o surgimento de doenças fúngicas.
Depois dos temporais, verifique se a água está escoando pelos furos dos vasos e esvazie pratos, cachepôs, regadores e outros recipientes. Esses pontos podem prejudicar as plantas e servir como criadouros para mosquitos, como os da Dengue. Em vasos com substrato úmido e rico em matéria orgânica, o aparecimento de pequenos mosquitos pode indicar excesso de umidade.
A rega automática deve ser suspensa enquanto o substrato permanecer molhado. Também é indicado afastar vasos muito agrupados, retirar folhas caídas ou apodrecidas e observar o verso das folhas, os brotos, os caules e a região próxima ao solo. Quando possível, plantas infestadas devem ser isoladas para reduzir a disseminação.
Evite pulverizações sem diagnóstico
Inseticidas, fungicidas e produtos contra lesmas não devem ser aplicados de forma indiscriminada, principalmente em locais acessíveis a crianças, cães e gatos. Os animais podem entrar em contato com resíduos, lamber as patas ou ingerir produtos granulados.
“Em casas com animais, é vital avaliar como o produto será aplicado, quanto tempo permanecerá e se pode ser ingerido”, ressalta Simone.
Se o uso for indispensável, é necessário seguir as instruções do fabricante sobre indicação, dosagem, local e período de afastamento. Produtos agrícolas não são destinados ao uso doméstico. Para lesmas e caracóis, a terra de diatomáceas é apresentada como uma alternativa segura para pets e crianças.
Podas também exigem cuidado. A retirada de partes comprometidas deve ser criteriosa, porque podas excessivas podem aumentar o estresse de uma planta enfraquecida. Ferramentas limpas ajudam a evitar contaminação.
Receitas caseiras com óleos essenciais, fumo, pimenta, álcool ou detergente podem irritar, intoxicar e queimar as folhas. Ser natural não significa ser seguro: o risco depende da concentração e da exposição. Uma mistura inadequada ainda pode esconder os sintomas sem corrigir a causa, como uma drenagem deficiente.
Antes de eliminar qualquer inseto, identifique o organismo e avalie o dano. Abelhas, joaninhas e outros organismos são importantes para a polinização e o controle natural de pragas. Melhorar a drenagem, retirar a água acumulada, favorecer a ventilação e observar corretamente os sinais são medidas que ajudam a recuperar o equilíbrio do jardim.
Se houver suspeita de contato ou ingestão de produto por um animal, procure atendimento veterinário imediatamente e leve a embalagem do produto.







