Uma cozinha compacta pode ser funcional mesmo quando faz parte de um imóvel com áreas amplas de convivência. Para a arquiteta Cristiane Schiavoni, o resultado depende menos da metragem e mais de um projeto ajustado à rotina dos moradores e às características da planta.
O planejamento começa antes da aparência
Não há uma medida única que determine se uma cozinha será confortável. Plantas lineares, em L, U ou paralelas podem funcionar, desde que o layout seja escolhido de acordo com o uso do ambiente.
“Mais importante do que a metragem é a qualidade do projeto”, afirma Cristiane. A definição das tomadas, dos pontos hidráulicos, do gás e da posição dos equipamentos deve ocorrer antes da instalação dos revestimentos. Esses elementos ficam escondidos depois da obra e podem ser difíceis de modificar.
A arquiteta também recomenda pesquisar os eletrodomésticos antes do início do projeto. Modelos que reúnem mais de uma função, como fornos que também funcionam como micro-ondas e air fryer, podem substituir aparelhos separados e liberar espaço para outras necessidades.
A bancada precisa ser incluída nessa organização. Além das tomadas de uso diário, filtros de água instalados sob o tampo ajudam a manter livre a área de trabalho. Em um projeto com marcenaria azul, Cristiane Schiavoni organizou o forno e o micro-ondas em uma torre quente com saída de ventilação.
Marcenaria aproveita áreas esquecidas
Quando não é possível ampliar a cozinha na horizontal, o projeto pode usar espaços que costumam passar despercebidos. A parte superior da geladeira pode receber um armário para objetos pouco usados. Nos cantos, ferragens específicas facilitam o acesso ao fundo dos módulos, enquanto nichos acomodam eletroportáteis e itens de uso frequente.
A marcenaria sob medida se diferencia do mobiliário modular porque pode acompanhar recuos, medidas e características específicas da planta. Essa adaptação permite usar melhor cada trecho disponível.
A cozinha integrada também pode favorecer a convivência e o aproveitamento da área disponível, segundo Cristiane. A escolha, porém, deve fazer parte do planejamento geral do imóvel.
Iluminação acompanha as áreas de trabalho
A luz precisa ser planejada junto com o restante da cozinha. Como o ambiente concentra tarefas que exigem precisão, como cortar alimentos e lidar com fogo e utensílios, a iluminação deve acompanhar as bancadas e reduzir a formação de sombras sobre elas.
Para Cristiane Schiavoni, a iluminação é um elemento de funcionalidade, e não apenas um recurso para clarear o ambiente. Formada pela Universidade de São Paulo (FAU-USP), a arquiteta atua com arquitetura, decoração e reforma desde 1996.







