A Samarco prepara a expansão das operações para atingir 100% da capacidade produtiva instalada a partir de 2028. O plano reúne investimentos em segurança, eficiência, inovação, redução de emissões e uso racional dos recursos naturais.
A estratégia inclui a participação da empresa na agenda de descarbonização da indústria do aço. As pelotas de minério de ferro produzidas pela Samarco têm alto teor de ferro e composição uniforme. Alguns tipos podem ser usados em processos de redução direta, uma das alternativas consideradas para reduzir a intensidade de carbono na produção siderúrgica.
Energia e transporte
Desde 2022, toda a energia elétrica consumida pela Samarco vem de fontes renováveis certificadas. A matriz é apoiada por duas usinas hidrelétricas e também pela parceria com a Casa dos Ventos para autoprodução de energia eólica.
O transporte da polpa de minério de ferro por minerodutos também utiliza energia elétrica. O material percorre cerca de 400 quilômetros entre a mina, em Minas Gerais, e o porto, no Espírito Santo, impulsionado por um sistema de bombas.
Na etapa de pelotização, bio-óleo e moinha de carvão vegetal passaram a substituir parcialmente combustíveis fósseis. A empresa também incorporou à fabricação materiais que seriam descartados por outras cadeias produtivas. Entre eles estão coprodutos da extração de mármore, usados para substituir parte do calcário empregado na produção das pelotas.
Pesquisa e gestão de rejeitos
Em 2025, a Samarco destinou R$ 52,5 milhões a pesquisa, desenvolvimento e inovação. Os projetos abrangem segurança, eficiência produtiva, economia circular e desafios ambientais da mineração.
A gestão dos rejeitos mudou com a retomada das atividades. Desde 2020, a empresa não usa barragens para dispor o material gerado na produção. Cerca de 80% dos rejeitos são filtrados e empilhados a seco, enquanto os 20% restantes, formados por rejeitos ultrafinos, são encaminhados para cavas confinadas.
Esse sistema está associado a uma taxa global de recirculação hídrica próxima de 90%, reduzindo a necessidade de captar água nova.
Reparação e retomada
A retomada operacional ocorreu em 2020, depois de cinco anos de paralisação provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em Minas Gerais. A Samarco informa que cumpre integralmente as medidas previstas no Novo Acordo do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal em 2024.
O acordo estabelece reparação de R$ 170 bilhões, considerando compromissos realizados antes da homologação e novas obrigações. Desde fevereiro de 2025, mais de R$ 11,7 bilhões foram pagos em indenizações diretas a 319,2 mil pessoas por meio do Programa Indenizatório Definitivo (PID).
Municípios também aderiram ao Novo Acordo, com acesso a aproximadamente R$ 2,6 bilhões para iniciativas de reparação e compensação. Ao todo, 45 dos 49 municípios elegíveis aderiram ao acordo.
Para Rodrigo Vilela, presidente da Samarco, a transformação depende de planejamento e execução contínua. “Temos uma oportunidade única de construir uma mineração cada vez mais segura, sustentável, competitiva e conectada às expectativas da sociedade.”








