A Justiça Federal determinou o afastamento cautelar de 12 servidores e agentes ligados à Companhia Docas do Pará (CDP) no âmbito da Operação Sonar. A decisão também proibiu o acesso dos afastados às dependências da empresa e o contato com fornecedores e outros investigados.
Deflagrada pela Polícia Federal (PF), com participação da Controladoria-Geral da União (CGU), a operação apura suspeitas de desvio de recursos públicos, cobrança de vantagens indevidas, direcionamento de contratações, superfaturamento, uso de empresas e pessoas interpostas e lavagem de dinheiro em uma empresa pública federal sediada em Belém.
Entre os citados estão Jardel Rodrigues da Silva, então diretor-presidente da CDP, e Renata Valle de Lima, gerente de Gabinete da Presidência. A representação apresentada à Justiça Federal descreve Jardel como integrante central do grupo investigado. Segundo o documento, ele teria concentrado na Presidência a autorização de pagamentos e determinado a retenção seletiva de faturas de fornecedores para a cobrança de valores.
Renata é apontada como integrante do núcleo operacional e teria participado da tramitação de processos e da priorização de pagamentos relacionados à SS Eventos e Serviços Ltda. Também aparecem entre os afastados Rosândela Oliveira Barbosa de Carvalho, diretora de Gestão Portuária, e Samuel Alves Rocha, diretor administrativo-financeiro.
Contratos e empresas citados
Rosândela é citada pela suposta participação na aprovação de contratos e termos aditivos relacionados à Fortes Serviços Ltda. e à SS Eventos. Samuel aparece relacionado à liberação e ordenação de despesas, além da autorização de dispensas de licitação.
A investigação também menciona Thays do Socorro Failache Soares, Brenda Rocha Teixeira, Paulo César Rodrigues de Moraes, Josiane Ribeiro Rodrigues do Espírito Santo, Reinaldo Augusto Costa Soares, Tayse da Cunha Assis Gonçalves, Tayná Dias Horiguchi e Claudio Ribeiro do Nascimento. As suspeitas descritas envolvem pagamentos, licitações, fiscalização contratual, avaliação de bens e documentos técnicos.
Entre as empresas e entidades citadas estão a SS Eventos, a Fortes Serviços Ltda., a JSX Participações, a LLX Investimentos, a EJX Consultoria, o Instituto Santo Expedito, o Instituto Amary e a Koury Organização de Eventos. A SS Eventos teria recebido mais de R$ 1,7 milhão da CDP. O contrato da Fortes Serviços é citado pelo valor de R$ 15,1 milhões, enquanto uma concorrência para obras no Porto de Vila do Conde aparece com R$ 28,8 milhões.
Também são mencionados um patrocínio de R$ 405 mil ao Instituto Santo Expedito e a doação de bens da CDP avaliados em R$ 230 mil ao Instituto Amary. A contratação direta da empresa do contador Maurício Moura Figueiredo é citada pelo valor de R$ 2,36 milhões.
As condutas atribuídas aos citados ainda são investigadas. A inclusão dos nomes no procedimento não representa condenação nem comprovação definitiva de responsabilidade criminal.







