O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) identificou desigualdades em educação, moradia, composição familiar, trabalho e representação política entre pessoas com deficiência no Brasil. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (18), antes do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.
O informativo reúne resultados do Censo Demográfico de 2022 e de outras pesquisas. O levantamento contabilizou 14,4 milhões de habitantes de dois anos ou mais com deficiência, o equivalente a 7,3% da população total dessa faixa etária no país.
Diferenças na alfabetização
Entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência, a taxa de analfabetismo foi de 12,2% em 2022. No grupo sem deficiência, o índice ficou em 1%. A distância também apareceu entre pessoas de 30 a 39 anos, com taxas de 13,5% e 2%; de 40 a 49 anos, com 15% e 4,8%; de 50 a 59 anos, com 18% e 7,9%; e de 60 anos ou mais, com 27,9% e 14,4%.
Para o IBGE, o analfabetismo historicamente mais alto entre pessoas com deficiência está relacionado, em parte, à maior concentração dessa população entre os idosos. A análise dos grupos mais jovens, porém, indica que a diferença não se explica apenas pela idade.
São considerados analfabetos os brasileiros de 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever um bilhete simples. Nas taxas gerais, o índice foi de 21,3% entre pessoas com deficiência e de 5,2% entre aquelas sem deficiência.
Acesso desigual nas moradias
Em 2022, 56,6% das pessoas com deficiência viviam em lares com acesso simultâneo à rede geral de água, à coleta de lixo e à rede de esgoto ou fossa séptica. Entre as pessoas sem deficiência, a proporção foi de 60,2%.
A presença de máquina de lavar também foi menos frequente nos domicílios onde moravam pessoas com deficiência: 60,4%, ante 68,9% no restante da população. O acesso domiciliar à internet alcançou 78,9% desse grupo, enquanto chegou a 90,2% entre pessoas sem deficiência.
Leonardo Athias, pesquisador do IBGE, destacou a importância da internet para educação, trabalho e acesso ao governo eletrônico: “A internet tem papel no acesso à educação, ao trabalho, ao governo eletrônico.”
As dificuldades também estavam no entorno das moradias. Entre as pessoas com deficiência, 67,4% viviam em domicílios sujeitos a obstáculos nas calçadas, e 12,9% contavam com rampas para cadeirantes nas proximidades. No restante da população, os percentuais foram de 65,2% e 15,4%.
Crianças dependem mais de mães ou madrastas
Em 2022, 30,1% das crianças e dos adolescentes de 2 a 17 anos com deficiência viviam somente com a mãe ou a madrasta, sem o pai ou o padrasto no domicílio. Entre aqueles sem deficiência, a proporção era de 21,5%.
Nos lares abaixo da linha de pobreza, o percentual entre crianças e adolescentes com deficiência subia para 35,1%. A pesquisadora Luanda Chaves Botelho, do IBGE, afirmou que o dado chama atenção para a situação das mães que atuam como únicas cuidadoras.
O nível de ocupação das mulheres que moravam em domicílios com crianças com deficiência foi de 43,1% em 2022. O resultado ficou 12,1 pontos percentuais abaixo dos 55,2% registrados entre mulheres em lares com crianças sem deficiência.
O estudo adotou a linha de pobreza do Banco Mundial, de US$ 8,30 por dia para o rendimento domiciliar per capita, equivalente a cerca de R$ 770 mensais. São considerados pobres os moradores com renda abaixo desse valor.
Baixa presença na política
Com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o IBGE informou que o número de vereadores eleitos com deficiência caiu de 522 em 2020 para 391 em 2024, uma redução de 25,1%. Entre prefeitos, o total passou de 56 para 24, queda de 57,1%.
Nas Assembleias Legislativas e na Câmara dos Deputados, foram eleitos em 2022 dois deputados estaduais, uma deputada estadual, um deputado federal e uma deputada federal.
O informativo também apontou diferenças nas relações conjugais. Entre pessoas de 18 a 59 anos com deficiência, 52,5% viviam em algum tipo de união em 2022, contra 59,8% no restante da população. A partir de 60 anos, os percentuais foram de 45,2% e 57,6%, respectivamente.
O IBGE relaciona os percentuais mais baixos de união a possíveis experiências de rejeição e à falta de ocupação, que pode afetar a inclusão social em outras dimensões.








