Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Flávio Bolsonaro tenta ampliar imagem moderada enquanto enfrenta antigas denúncias

Pré-candidato do PL busca atrair eleitores além da base do pai, mas enfrenta questionamentos sobre Daniel Vorcaro, rachadinha e milícias.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

A tentativa de Flávio Bolsonaro de se apresentar como uma alternativa mais moderada dentro do bolsonarismo enfrenta novos obstáculos após a divulgação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. O senador teria cobrado aportes para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Ele nega ilegalidades e afirma que não ofereceu vantagens nem recebeu dinheiro ou benefício pessoal.

Segundo o Intercept Brasil, Vorcaro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a obra no ano passado. O acordo de financiamento chegaria a R$ 134 milhões, e Flávio teria procurado o banqueiro para cobrar a liberação do restante dos recursos. Vorcaro está preso e negocia um acordo de delação premiada com potencial para atingir altas autoridades.

A proximidade se soma a acusações antigas contra Flávio, relacionadas a suspeitas de rachadinha em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), compra de imóveis com dinheiro vivo e vínculos com o miliciano Adriano da Nóbrega. O senador nega as acusações e afirma que elas fazem parte de uma perseguição política contra sua família.

A estratégia de uma imagem mais moderada

A campanha tenta diferenciar Flávio do pai sem romper com o eleitorado bolsonarista. Em vídeos publicados nas redes sociais, o senador aparece com a esposa, Fernanda, e as duas filhas. Em um deles, diz ser o Bolsonaro que tomou vacina, em contraste com a postura de Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19.

A estratégia também inclui publicações sobre temas associados a públicos que a campanha busca alcançar. Flávio divulgou um vídeo sobre a importância do Carnaval para a economia e, no Dia da Mulher, abordou feminicídios, falta de creches e figuras como Berta Lutz, Antonieta de Barros e Maria da Penha.

Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o senador precisa reduzir a rejeição ligada ao sobrenome e às acusações de corrupção enquanto tenta construir uma imagem de gestor diferente do pai. Na avaliação dele, o episódio envolvendo Vorcaro interrompeu esse esforço.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), porém, avalia que Flávio não estaria tentando se tornar moderado, mas já teria esse perfil. Ela atribui parte do crescimento do senador ao antipetismo e à frustração de eleitores com o desempenho econômico do governo Lula.

Pesquisas e disputa pelo eleitorado

Flávio anunciou em dezembro que havia sido escolhido por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência pelo PL. Desde então, subiu nas intenções de voto e passou a aparecer empatado com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, conforme o agregador de pesquisas citado no levantamento.

Entre dezembro e maio, o senador avançou nove pontos percentuais entre eleitores de 16 a 34 anos, chegando a 45%, contra 38% de Lula. Na faixa de renda entre 2 e 5 salários-mínimos, alcançou 44%, ante 40% do atual presidente. Entre as mulheres, passou de 31% para 36%, mas continuou atrás de Lula, que tinha 45% na pesquisa de maio.

Uma pesquisa da AtlasIntel realizada em março apontou que parte da resistência a Flávio vem de eleitores que não querem um governo semelhante ao de Jair Bolsonaro e daqueles que o consideram envolvido ou conivente com corrupção. Sanches estima que entre 10% e 12% do eleitorado não esteja automaticamente alinhado a um dos polos da disputa.

As acusações da época da Alerj

Flávio foi deputado estadual no Rio de Janeiro por 16 anos, de 2003 a 2018, antes de chegar ao Senado. Em 2020, o Ministério Público acusou Fabrício Queiroz, seu antigo chefe de gabinete, de operar um esquema de recolhimento de parte dos salários de funcionários.

Segundo a denúncia, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões em valores da época. O Ministério Público afirmou que ao menos R$ 2 milhões foram para a conta de Queiroz e que outros R$ 2 milhões foram disponibilizados à organização criminosa por meio de saques em espécie. Também apontou pagamentos de 169 boletos da escola das filhas de Flávio e do plano de saúde da família, somando R$ 247 mil.

Flávio diz que Queiroz tinha autonomia para administrar uma equipe que atuava nas ruas, em eventos e em atividades de apoio parlamentar. O senador afirma que nunca respondeu criminalmente pelo caso. A investigação foi interrompida por decisões judiciais; o Superior Tribunal de Justiça anulou medidas de quebra de sigilos, e o Supremo Tribunal Federal anulou relatórios do Coaf que haviam fundamentado a apuração. O Ministério Público do Rio informou que o caso foi encerrado após decisão do ministro Gilmar Mendes em fevereiro de 2025.

Relações com policiais acusados de milícia

Durante seus quatro mandatos na Alerj, Flávio homenageou policiais militares, entre eles Adriano da Nóbrega, em 2003 e 2005. Adriano foi expulso da Polícia Militar em 2014 e depois acusado de chefiar o Escritório do Crime. Ele morreu durante uma operação policial na Bahia, quando estava foragido.

A mãe de Adriano, Raimunda Magalhães, e a então esposa dele, Danielle Mendonça da Costa, trabalharam no gabinete de Flávio até 2018. O senador afirma que não conhecia as acusações contra Adriano quando o homenageou e que as duas funcionárias não deveriam ser punidas por fatos atribuídos a ele.

Flávio também é criticado por declarações e posições que entram em conflito com a imagem moderada. Em junho de 2025, afirmou que um presidente bolsonarista poderia recorrer à força para garantir anistia ou indulto ao pai, caso o STF considerasse a medida inconstitucional, embora tenha dito que fazia uma análise de cenário. Em outubro, pediu que os Estados Unidos bombardeassem navios na costa brasileira, repetindo ações realizadas contra embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas na Venezuela.

A oposição usa essas declarações para sustentar que não existe um Bolsonaro moderado. Na direita, a vereadora Janaína Paschoal (PP-SP) criticou o comportamento do senador após ele conversar com Jaques Wagner (PT-BA) durante a sessão que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF. Para ela, Flávio não seria moderado, mas fraco.

O desafio da campanha é conciliar a preservação da base bolsonarista com a busca por eleitores que rejeitam o estilo e parte das posições de Jair Bolsonaro. As novas cobranças relacionadas a Vorcaro recolocam no centro da disputa as relações políticas, financeiras e familiares que Flávio tenta deixar em segundo plano.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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