Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Falhas em lacres levam perícia a recusar análise de aparelhos do caso Dark Horse

Embalagens de celulares, notebooks e pendrives permitiam acesso aos dispositivos antes dos exames da Polícia Científica de São Paulo.

Suspeita de violação de lacres de equipamentos do caso Dark Horse expõe Tarcísio de Freitas e André Mendonça

A Polícia Científica de São Paulo recusou analisar celulares, notebooks e pendrives apreendidos na investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse após identificar falhas nos lacres e nas embalagens. As aberturas permitiam a passagem de um cabo USB e, em alguns casos, a retirada dos dispositivos, comprometendo a preservação do material antes da perícia.

O problema foi registrado em um termo do Instituto de Criminalística anexado ao processo. De acordo com o documento, 13 embalagens que continham celulares e notebooks tinham espaço suficiente para a introdução de objetos ou vestígios. A perita criminal Viviane Fleitas Menezes apontou que também seria possível inserir cabos de alimentação e transferência de dados, o que abriria possibilidade de manipulação dos equipamentos.

Nos pendrives, quatro embalagens apresentavam abertura suficiente para permitir a retirada dos dispositivos. Os peritos devolveram o material à Polícia Civil porque os exames não poderiam ser realizados nas condições em que os objetos foram entregues.

Devolução e novos lacres

A operação policial ocorreu em 1º de junho, mas os equipamentos só chegaram ao Instituto de Criminalística em 3 de junho, dois dias depois. Após a constatação das falhas, os objetos retornaram à Polícia Civil em 8 de junho.

Na devolução, o escrivão Mauro Sergio Gagliotti determinou a troca das embalagens e a aplicação de novos lacres. O documento justificou a medida pela necessidade de preservar a integridade dos objetos e manter a cadeia de custódia antes de um novo envio à perícia.

A cadeia de custódia registra o caminho percorrido por uma evidência desde a apreensão até a análise pericial e eventual uso no processo. Em equipamentos eletrônicos, essa preservação é relevante porque dados podem ser alterados sem que a mudança seja imediatamente percebida.

Até agora, não há informação sobre quem foi responsável pela falha. Também não há conclusão de que os aparelhos tenham sido manipulados ou de que dados tenham sido apagados ou modificados.

Investigação e tramitação no STF

Os equipamentos fazem parte da apuração sobre a movimentação de recursos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, o programa Wi-Fi Livre SP e empresas relacionadas à produção de Dark Horse. Polícia Civil e Polícia Federal examinam pagamentos milionários e subcontratações, incluindo transferências feitas pelo Instituto Conhecer Brasil para empresas ligadas ao filme.

Os dispositivos podem conter mensagens, documentos, registros financeiros, contatos e outros dados relacionados aos investigados. Por isso, a preservação do material integra a própria investigação.

O caso também se relaciona ao inquérito que tramitava no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro André Mendonça, responsável pela apuração sobre o financiamento de Dark Horse e pessoas ligadas à produtora Go Up Entertainment. Em agosto, os advogados de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora, pediram a Mendonça a suspensão da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e a transferência do caso para o STF.

Não há informação pública que atribua ao ministro participação na apreensão, no acondicionamento ou no transporte dos aparelhos. A relação com Mendonça está no destino judicial das provas. A questão ainda sem resposta é se a falha foi apenas um erro de procedimento ou se houve acesso aos dispositivos antes da perícia.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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