Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

É falso documento que nega crimes em mensagens de Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro

Polícia Federal negou ter produzido documento compartilhado por deputado e apoiadores; análise da OpenAI apontou uso de inteligência artificial.

É falso documento em que PF diz não ver crime em mensagens de Nikolas e Vorcaro
Foto: Reprodução/OpenAI

Não é verdade que a Polícia Federal (PF) tenha afirmado, em relatório, não haver indícios de crime nas conversas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A corporação negou ser autora do documento compartilhado nas redes sociais pelo parlamentar e por seus apoiadores. Além disso, a ferramenta de verificação da OpenAI apontou que o conteúdo foi gerado por modelos de inteligência artificial.

Publicações que reproduziam o documento falso somavam ao menos 500 mil visualizações no X nesta quinta-feira (3).

Documento atribuído à PF é falso

Não é verdadeiro o documento atribuído à PF que afirma que as mensagens trocadas entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro não apresentariam qualquer indício de crime e revelariam apenas “contato de natureza pessoal e profissional entre os interlocutores”.

A Polícia Federal informou nesta quinta-feira (3) que o documento é falso. A corporação destacou que não criou a imagem nem o conteúdo da página que circula nas redes sociais.

Além disso, o arquivo foi submetido à ferramenta de verificação da OpenAI, que identificou a presença de SynthID. Trata-se de uma marca-d’água digital inserida em conteúdos produzidos ou editados com inteligência artificial e desenvolvida para continuar detectável mesmo depois de alterações no arquivo.

A OpenAI confirmou que a presença do SynthID indica algum tipo de manipulação realizada com ferramentas de inteligência artificial.

O documento também apresenta inconsistências que podem estar relacionadas a falhas na geração de conteúdo sintético, entre elas:

  • O emblema da PF exibido na imagem não é igual ao oficial. Na versão original, as fitas têm contornos e dobras mais definidos, além de um desenho levemente diferente do que aparece no documento falso;

  • Outra diferença está no acento agudo da palavra ‘Polícia’. No emblema original, o sinal é trocado por um triângulo;

  • A numeração dos itens não segue uma sequência lógica: passa de 7 diretamente para 7.3, sem incluir 7.1 e 7.2;

  • Existem erros de português, como a expressão “contato salvado”, em vez de “contato salvo”;

  • As datas também apresentam inconsistências. O documento teria sido elaborado no mesmo dia da extração dos dados, no dia 18 — um dia depois da prisão de Daniel Vorcaro;

  • A montagem emprega elementos e denominações que não costumam fazer parte de documentos oficiais da PF, como emojis e o termo “Relatório de Análise de Dados”.

Nikolas foi mencionado nesta quinta-feira (3) em reportagens do ICL Notícias que divulgaram mensagens e áudios nos quais o deputado pede ajuda a Vorcaro para liberar “um ativo de minério” em março de 2025. Em outro trecho, o ex-dono do Master afirma que “bancou todos os voos” do deputado.

Em um vídeo publicado depois da divulgação das reportagens, Nikolas negou ter proximidade com o ex-banqueiro e afirmou que as mensagens não mostram nada relevante. O próprio deputado publicou o documento falso nos stories do Instagram.

A assessoria do deputado afirmou que ele não sabia que o documento era falso e que republicou o conteúdo divulgado originalmente por outro portal.

A legislação brasileira prevê punições para a falsificação de documentos e de símbolos de órgãos públicos. O Código Penal estabelece pena de dois a seis anos de reclusão, além de multa, para quem falsifica total ou parcialmente um documento público. A mesma punição também se aplica a quem falsifica ou utiliza de forma indevida marcas, logotipos, siglas ou outros símbolos empregados na identificação de órgãos da administração pública.

No entanto, a definição da responsabilidade pela montagem depende da análise das circunstâncias em que ela foi produzida e divulgada, além da identificação do verdadeiro autor da foto do documento falso.

Colaboraram Luiza Vezzá e Giovanna Massaro

O caminho da apuração

Inicialmente, a imagem foi enviada à ferramenta de verificação da OpenAI, que confirmou a manipulação com uso de inteligência artificial. Depois, foi feita uma análise das inconsistências presentes na imagem do documento.

Na sequência, a Polícia Federal foi procurada e confirmou que a imagem não havia sido produzida pela corporação.

A assessoria de Nikolas Ferreira também foi procurada.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5