Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo de Minas Gerais, recebeu R$ 900 mil de Carlos Geo Quick, que comandou o Banco Neon e responde a uma ação penal por acusações de crimes contra o sistema financeiro nacional. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), e a Justiça Federal aceitou a acusação em abril de 2025.
O valor foi transferido em duas parcelas, de R$ 380 mil e R$ 520 mil, por meio eletrônico, durante agosto. Até 9 de setembro, a contribuição aparecia como a 21ª maior doação individual feita por uma pessoa física nas eleições, conforme os dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Doação e agenda em Juiz de Fora
Roscoe é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo deputado federal Nikolas Ferreira, ambos do PL. Os dois participaram, ao lado do candidato, de uma motociata e de um comício em Juiz de Fora em 9 de setembro.
A mobilização havia sido tentada em 17 de agosto, mas uma tempestade impediu a realização do ato ao ar livre. Na ocasião, o encontro foi transferido para um ginásio em Belo Horizonte.
A assessoria de Roscoe afirmou, em mensagem enviada por WhatsApp, que o dinheiro foi destinado ao partido de maneira legal, transparente e declarada pelo doador. Também disse que a relação entre o candidato e Quick se limita ao convívio no meio empresarial de Minas Gerais. A campanha afirmou ainda que será financiada por doações privadas declaradas, sem uso de recursos públicos ou do Fundo Partidário.
A defesa de Quick declarou que ele não mantém relação comercial com Roscoe e que fez a doação por considerar o candidato um bom nome para o governo estadual. Sobre as acusações do MPF, os advogados informaram que o empresário não se manifestaria.
Acusações contra o empresário
Quick foi ex-controlador do Banco Neon, instituição que sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central em maio de 2018. Ele também esteve à frente, com sócios, da Pottencial Assessoria e Consultoria (PAC), segundo as investigações do MPF.
A acusação sustenta que a PAC captava recursos sem autorização do Banco Central. Empresas depositavam dinheiro na companhia com a expectativa de rendimento. Quando pediam o resgate, os valores não eram devolvidos. Em vez disso, eram registrados como empréstimos concedidos pelo Banco Neon no mesmo valor solicitado.
Com o procedimento, as empresas apareciam como devedoras de operações que, segundo o MPF, não existiam. O banco, por sua vez, registrava receitas de juros sobre esses contratos e elevava artificialmente seu patrimônio.
Em março de 2025, o MPF apresentou a denúncia. No fim de abril do mesmo ano, a Justiça Federal em Belo Horizonte aceitou a acusação contra Quick por crimes relacionados à administração fraudulenta do banco, ao prejuízo de investidores e à operação de uma estrutura financeira sem autorização.







