Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Filme sobre Bolsonaro enfrenta denúncias trabalhistas e disputa sobre financiamento

Relatório do SATED/SP reúne 15 ocorrências sobre alimentação, pagamentos, revistas e condições nas gravações de Dark Horse.

Mesmo com aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro, filme sobre Bolsonaro foi denunciado por condições precárias
Foto: Reprodução/Evaristo SA/AFP

A produção de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, é alvo de denúncias trabalhistas registradas por figurantes e técnicos durante as gravações em São Paulo. Os relatos incluem alimentação considerada insuficiente, fornecimento de comida estragada, atrasos de pagamento, revistas invasivas e alegações de assédio moral e agressão física.

As reclamações aparecem em um relatório de dezembro do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP). Ao todo, foram registradas 15 ocorrências formais pelo canal Reclame SATED. O sindicato afirmou que não faz acusações diretas contra a produção e que os fatos ainda devem ser analisados pelas autoridades, com direito de defesa às partes envolvidas.

Relatos durante as filmagens

Segundo o documento, figurantes brasileiros recebiam um kit com pão com frios, maçã, paçoca e suco, enquanto a equipe principal tinha acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service. Os trabalhadores relataram que essa alimentação não seria suficiente para jornadas acima de 8 horas.

O relatório também registra uma denúncia de comida estragada em 30 de outubro de 2025. Outros relatos citam pagamentos atrasados, cachês abaixo do padrão de mercado, contratação informal por grupos de WhatsApp e remuneração em dinheiro sem emissão de nota fiscal.

Alguns figurantes disseram que precisavam desembolsar R$ 10 pelo transporte até os locais de gravação. Conforme os relatos, o valor era pago em dinheiro ou descontado do cachê ao fim da diária.

Também foram mencionados episódios recorrentes de assédio moral e condições precárias. Um figurante afirmou ter sofrido agressão física no set, ter registrado boletim de ocorrência e informado que faria exame de corpo de delito.

As revistas na entrada das locações foram descritas como invasivas. Os denunciantes relataram que seguranças faziam toques em partes íntimas e nos seios dos figurantes. O material ainda aponta possível uso de profissionais estrangeiros sem o recolhimento de taxas previstas na Lei nº 6.533/78. De acordo com o relatório, SATED/SP e SINDICINE não registraram pagamentos referentes à contratação desses trabalhadores nem receberam contratos para a obtenção do visto obrigatório das entidades sindicais.

Divergência sobre os recursos

A divulgação das denúncias ocorreu no mesmo período em que vieram a público informações sobre um possível aporte de R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o filme. Mensagens e áudios trocados entre o banqueiro e o senador Flávio Bolsonaro indicariam transferências entre fevereiro e maio de 2025, por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

Em uma mensagem enviada em setembro de 2025, Flávio Bolsonaro demonstrou preocupação com os atrasos de pagamento e afirmou que a equipe estava sob pressão. Depois, o senador disse que o financiamento envolveu dinheiro privado e negou irregularidades. Em vídeo, afirmou também não manter “relações espúrias” com Vorcaro.

A GOUP Entertainment negou que o banqueiro, o Banco Master ou empresas sob seu controle tenham investido no longa. A empresa declarou que entre os financiadores não haveria recursos de Vorcaro e rejeitou associações entre a produção e fatos sem comprovação documental, financeira ou contratual.

A Ancine informa que o filme tem orçamento de R$ 28 milhões, dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. A produção ainda busca distribuição internacional. Em abril deste ano, o site Deadline informou que os produtores continuavam negociando a venda do projeto, com especulações sobre uma possível estreia em setembro de 2026.

Dirigido por Cyrus Nowrasteh e escrito com Mark Nowrasteh a partir de argumento de Mario Frias, o longa é apresentado como um thriller político inspirado na campanha presidencial de 2018 e no atentado sofrido por Bolsonaro durante o período eleitoral. O elenco inclui Esai Morales, Lynn Collins, Camille Guaty, que interpreta Michelle Bolsonaro, Jeffrey Vincent Parise e Jim Caviezel.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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