Contagem, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Diplomata defende aproximação entre Brasil e EUA para evitar domínio de China e Estados Unidos

Nicholas Burns afirma que democracias precisam criar alianças regionais e temáticas para ampliar sua influência no cenário global.

Diplomata defende aproximação entre Brasil e EUA para evitar domínio de China e Estados Unidos

O diplomata e professor de Harvard Nicholas Burns defendeu uma aproximação maior entre Brasil e Estados Unidos para impedir que os dois países fiquem à margem de um cenário internacional dominado por China e EUA. Para ele, nações democráticas precisam ampliar alianças regionais e formar coalizões voltadas a problemas específicos.

Burns conversou durante o J. Safra Investment Conference 2026. Ele foi embaixador dos EUA na China entre 2021 e 2025, serviu a seis presidentes americanos e visita o Brasil desde 1996.

Relação entre Brasil e Estados Unidos

Na avaliação do diplomata, a relação entre os dois países atravessa um dos períodos mais difíceis em décadas. Apesar das diferenças, ele destacou que Brasil e EUA vivem no mesmo hemisfério, são sociedades multiculturais e têm a democracia como principal ponto em comum.

Burns citou cartéis de drogas, terrorismo e a situação da Venezuela como problemas que exigem cooperação. Também criticou o uso de tarifas pelos Estados Unidos, que considera um obstáculo ao avanço das relações, e defendeu que um país não interfira na política doméstica do outro.

Para o diplomata, os chefes de governo devem manter uma relação cordial e respeitosa. Ele também afirmou que os Estados Unidos precisam da ajuda e da compreensão do Brasil em temas sensíveis, como Venezuela e Irã.

Burns mencionou o acordo de paz entre Peru e Equador como exemplo de cooperação. Na ocasião, os presidentes Clinton e FHC ajudaram a resolver uma disputa de fronteira que durava 60 anos.

Sobre a Venezuela, ele disse que o país precisa encontrar um caminho para um futuro democrático. Entre as medidas citadas estão a reconstrução e a modernização da indústria de petróleo, o retorno dos exilados e a possibilidade de os venezuelanos elegerem seus líderes sob o Estado de Direito. Segundo Burns, Brasil e EUA poderiam trabalhar juntos nesse processo.

Alianças e ordem internacional

Burns afirmou que China, Rússia, Irã e Coreia do Norte atuam em conjunto e defendeu a reconstrução de uma ordem mundial baseada em regras. Ele citou a criação da ONU e princípios como a proibição de invasões e a defesa das liberdades individuais.

Na avaliação dele, essa reconstrução deve ser um projeto internacional, e não uma iniciativa imposta por um único país. O diplomata também defendeu o livre comércio e a livre iniciativa.

Burns disse não considerar os Estados Unidos isolacionistas, mas classificou o país como mais unilateral. Para ele, mesmo uma potência precisa ouvir, respeitar e trabalhar com seus aliados. Nesse contexto, criticou a intimidação do Canadá e ameaças de invasão a um aliado da OTAN, como a Dinamarca.

China e o papel do Brasil

O diplomata afirmou que os Estados Unidos não podem criticar o Brasil por negociar com a China, já que os dois países mantêm uma relação comercial importante. Ainda assim, disse que se preocuparia com uma proximidade excessiva em relação a Beijing, por considerar a China um país autoritário, baseado no controle do Partido Comunista.

Para Burns, Brasil, Japão, Índia, Rússia e a União Europeia estão entre as chamadas superpotências intermediárias. Esses países podem ampliar sua influência por meio de estruturas como o G20 e de coalizões específicas para cada problema.

Ele afirmou que a China busca criar um mundo G2, no qual chineses e americanos definiriam as regras. Para o diplomata, seria um erro os Estados Unidos aceitarem esse cenário, pois o país sempre contou com aliados em diferentes regiões, incluindo o Brasil.

Competição tecnológica

Ao comparar a atual relação entre Estados Unidos e China com a Guerra Fria, Burns afirmou que a China é mais poderosa do que a União Soviética era. Segundo ele, embora a União Soviética tivesse armas nucleares e poder espacial, sua economia era muito menor.

A China, disse, tem maior poder econômico e alcance global. Burns citou a iniciativa Belt and Road e a presença de carros chineses no mercado brasileiro como sinais dessa diferença.

Ele também afirmou que a relação entre EUA e China está relativamente estável, com canais de comunicação abertos e tentativas de reduzir as tensões. Apesar das divergências, avaliou que os dois países não podem entrar em conflito em um mundo com armas nucleares.

Sobre inteligência artificial, biotecnologia e computação quântica, Burns defendeu que as empresas tenham espaço para inovar. Ao mesmo tempo, afirmou que decisões críticas não devem ficar sob controle exclusivo de companhias. Para ele, seres humanos precisam controlar tecnologias ligadas a armas nucleares e cibernéticas, em um equilíbrio entre liberdade, regulação e princípios globais.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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