ESPÍRITO SANTO — A Atlanteo, empresa germano-brasileira, vai construir uma usina de metanol verde no estado para exportar combustível à Europa. A instalação deve começar a ser erguida a partir de 2027 e alcançar a operação plena em 2030.
A usina piloto, chamada Alba, terá potência de 20 MW e capacidade para fabricar 10 mil toneladas de combustível por ano. O projeto ainda depende da conclusão do licenciamento ambiental da primeira unidade.
Apoio alemão e escolha do estado
O governo da Alemanha negocia um aporte de milhões de euros para a usina. Segundo Andreas Eisfelder, CEO da Atlanteo, os ministérios alemães de Assuntos Econômicos e Energia e de Pesquisa, Tecnologia e Espaço já deram aprovação preliminar aos recursos. O valor não foi divulgado.
Entre os fatores considerados para instalar o projeto no Espírito Santo estão a disponibilidade de energia renovável, a estrutura logística e portuária, a proximidade de áreas agrícolas e a oferta de biomassa. A empresa também citou o Porto da Imetame, em Aracruz, e o apoio do Banco de Desenvolvimento do Estado, o Bandes.
O estado conta ainda com mecanismos voltados a projetos de transição energética e descarbonização, como o Fundo de Descarbonização e linhas de financiamento e apoio do Bandes. Eisfelder deve se reunir com a Nova ES e com o Bandes nos próximos dias e apresentar mais detalhes do projeto em Vitória daqui a entre três e quatro semanas.
Mercado e empregos
A demanda europeia por metanol verde pode movimentar mais de 120 bilhões de euros (R$ 716 bilhões) até 2040, de acordo com Eisfelder. A União Europeia vai exigir, a partir de 2030, que pelo menos 6% do combustível de aviação usado em seus aeroportos seja sustentável.
A empresa prevê iniciar as vendas para o continente no mesmo ano. O CEO afirmou que espera que o Brasil alcance ao menos 10% do mercado europeu de combustíveis sustentáveis, embora tenha classificado essa projeção como uma ambição.
O metanol verde é produzido com hidrogênio obtido por meio de energia renovável e dióxido de carbono biogênico. A substância pode ser usada em setores nos quais a eletrificação direta é mais difícil, como transporte marítimo, aviação e indústria química.
“É uma molécula muito versátil, que vai ser utilizada na descarbonização do transporte marítimo, da aviação”, disse Eisfelder.
Durante a implantação, o projeto poderá abrir oportunidades para profissionais de engenharia, construção civil, montagem eletromecânica, eletricistas, instrumentistas, soldadores, técnicos de segurança e trabalhadores ligados à gestão ambiental.
Na operação, a demanda tende a incluir engenheiros químicos, mecânicos, elétricos e de automação, profissionais de processos, operadores industriais, técnicos de manutenção e especialistas em controle, laboratório, meio ambiente e segurança operacional. Também são previstos empregos indiretos e induzidos em fornecedores, logística, serviços, tecnologia e na cadeia de biomassa.
A Atlanteo foi fundada em 2023, recebeu investimentos do empresário Antoine Maleh e mantém parceria com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha. A companhia também avalia oportunidades relacionadas ao programa EcoInvest Brasil.







