Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

PF vê possível desvio de R$ 6,1 milhões em contrato de wi-fi de São Paulo

Relatório aponta repasses do Instituto Conhecer Brasil a empresas terceirizadas e posterior transferência para entidade ligada a Karina da Gama.

PF aponta triangulação de R$ 6,1 milhões do contrato de wi-fi de SP e indícios de lavagem de dinheiro em entidades ligadas ao filme Dark Horse
Foto: Reprodução/Redes Sociais e Rodrigo Rodrigues/g1

A Polícia Federal identificou indícios de uma triangulação financeira de pelo menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas à empresária Karina da Gama. O relatório serviu de base para a autorização, pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), da operação contra a produtora do filme Dark Horse nesta quinta-feira (10).

De acordo com a decisão, os recursos saíram do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina, passaram por empresas terceirizadas e depois foram direcionados à Academia Nacional de Cultura (ANC), organização social da cultura também associada à empresária.

A PF relaciona os repasses ao contrato de wi-fi de R$ 157 milhões firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo. As empresas Complexsys Soluções Integradas Ltda. e Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda., do casal André Feldman e Débora Gomes Feldman, prestaram serviços nesse contrato. Também aparecem na investigação a Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda., de William Silva Ferreira, e a Distribuidora de Produtos LMS Ltda.

Valores apontados no relatório

Segundo a investigação, a Complexsys transferiu R$ 2. 626.949,69 e R$ 1. 308.986,33 para a ANC. A Ultra IP repassou R$ 1.336.201,50; a Fastfuture, R$ 603. 136,12; e a Distribuidora LMS, R$ 300.000,00. O total indicado é de R$ 6.175.273,64.

No documento, Flávio Dino afirmou que a ANC recebeu recursos de diferentes empresas financiadas pelo ICB. Para o ministro, as movimentações apresentam indícios de que valores pagos ao instituto retornaram à esfera de disponibilidade dos responsáveis pela organização, com possível desvio e características de lavagem de dinheiro.

André Feldman, Débora Gomes Feldman e William Silva Ferreira foram alvo de busca e apreensão da Polícia Federal e estão proibidos de deixar o Brasil. Feldman declarou, por meio da Complexsys, que os recursos recebidos foram usados exclusivamente na manutenção da rede de wi-fi de São Paulo e que não há relação com o financiamento do filme. A empresa também afirmou que uma perícia independente não encontrou vínculo entre seu contrato e a produtora Go UP.

A defesa de Karina da Gama informou que apresentou uma reclamação constitucional à Presidência do STF. Segundo os advogados, a medida questiona a autoridade das decisões da Presidência e a competência do juiz natural, sem discutir o mérito da investigação. A defesa também disse que Karina entregou mais de 20 mil laudas de documentos à PF e que colaborou voluntariamente.

A Prefeitura de São Paulo negou relação entre seus projetos e a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A administração afirmou que a obra não recebeu recursos municipais e que não identificou irregularidades na assinatura e na execução do termo de colaboração com o ICB.

A prefeitura informou ainda que o Programa Wifi Livre tem 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados. Segundo a gestão, o custo atual de manutenção de cada ponto é de R$ 1.280,80. A Controladoria Geral do Município acompanha as investigações e instaurou procedimento em maio de 2026.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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