BELÉM — A cadeia da palma de óleo será tema da Palmacon 2026, marcada para os dias 16 e 17 de novembro, das 9h às 18h, na Estação das Docas, em Belém. Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), o evento reunirá produtores, pesquisadores, representantes do poder público, instituições financeiras, empresas e investidores.
A programação terá painéis, debates e uma área de exposição com máquinas, equipamentos, tecnologias, serviços e soluções para o setor. Entre os assuntos previstos estão mercado de óleos vegetais, biocombustíveis, sistemas agroflorestais, certificação, agricultura familiar e experiências internacionais.
Produção concentrada no Pará
O estado concentra mais de 90% da produção brasileira de palma de óleo. São aproximadamente 283 mil hectares plantados, distribuídos por cerca de 40 municípios, principalmente no nordeste paraense. Tailândia, Tomé-Açu, Moju e Acará estão entre as áreas de maior concentração da atividade.
Roraima tem cerca de 6 mil hectares cultivados. A dimensão da produção na Bahia é mais difícil de estimar devido à presença significativa de agricultura de subsistência.
A Abrapalma estima que o Brasil produzirá cerca de 700 mil toneladas de óleo de palma em 2026. A Indonésia, líder mundial, produziu 48 milhões de toneladas no ano passado. Segundo Victor Almeida, presidente da entidade, a diferença mostra que o país ainda ocupa uma parcela reduzida do mercado internacional.
Conhecido no Brasil como azeite de dendê, o óleo é usado em alimentos, produtos de higiene, limpeza e cosméticos. Cerca de 90% da produção nacional vai para a indústria de alimentos, enquanto aproximadamente 10% é destinado ao biodiesel. A entidade também aponta possibilidades de uso em bioplásticos, bioresinas e combustíveis sustentáveis para a aviação.
Atualmente, quase 90% do biodiesel brasileiro tem a soja como matéria-prima. A Abrapalma defende que a palma pode ampliar sua participação nesse mercado por apresentar alta produtividade de óleo por hectare.
Empregos e agricultura familiar
Uma parte importante da cadeia produtiva está concentrada no próprio Pará. O fruto pode ser processado em óleo bruto no interior do estado, passar por refino e chegar à fabricação de bens de consumo. Para a Abrapalma, essa estrutura ajuda a manter empregos e renda em território paraense.
O setor emprega cerca de 20 mil pessoas diretamente e demanda mais trabalhadores durante a safra, que ocorre principalmente entre agosto e dezembro. Nas áreas rurais, a estimativa é de aproximadamente um trabalhador para cada dez hectares plantados. Em determinados postos, a remuneração, com salário, benefícios e premiações, pode chegar a cerca de R$ 3 mil mensais.
A agricultura familiar ocupa aproximadamente 39 mil hectares de palma, o equivalente a quase 15% da área plantada no Pará. Propriedades com menos de 100 hectares respondem por aproximadamente 22% da produção de dendê.
Em média, cada agricultor familiar cultiva cerca de dez hectares. A partir do oitavo ano, quando o plantio alcança o pico produtivo, a receita pode chegar a aproximadamente R$ 20 mil mensais a preços atuais. Com custos estimados em cerca de metade desse valor, a renda líquida pode alcançar R$ 10 mil por mês, segundo a entidade.
A conferência terá um painel dedicado às experiências de agricultores familiares. A proposta é apresentar casos da atividade e incentivar a entrada de novos produtores.
Experiência colombiana
A programação também discutirá a expansão da palma na Colômbia, atualmente o maior produtor da América Latina. Há cerca de 30 anos, os dois países tinham áreas plantadas semelhantes, em torno de 60 mil hectares. Desde então, a Colômbia chegou a aproximadamente 700 mil hectares, enquanto o Brasil alcançou cerca de 280 mil hectares.
Representantes do governo e de empresas colombianas participarão do debate sobre as políticas e estratégias usadas no país. A organização também pretende aproximar fornecedores, produtores e outros participantes da cadeia por meio da área de exposição.
Para Victor Almeida, a conferência deve apresentar a atividade para além do agronegócio e aproximá-la da população. “Ela é uma conferência do setor para a população”, declarou o presidente da Abrapalma.
A entidade afirma que o encontro também servirá para discutir oportunidades de produção, tecnologia, agregação de valor, sustentabilidade e renda, com atenção a agricultores familiares e comunidades do interior do Pará.







