Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Economia do Espírito Santo avança 4,4% no primeiro semestre

Extração de petróleo e gás, mineração e pelotização sustentaram o resultado, enquanto consumo e inflação preocupam a indústria.

Economia do Espírito Santo avança 4,4% no primeiro semestre

A economia do Espírito Santo cresceu 4,4% nos primeiros seis meses deste ano, acima da média de 1,9% registrada pelo Brasil no período. Os dados são do Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado (Findes).

A extração de petróleo e gás e a mineração de ferro foram os principais motores do avanço. Petrobras, Vale, Samarco e Prio ampliaram a produção. Entre janeiro e junho, o setor de petróleo e gás cresceu 49,1%, influenciado pela alta no preço do petróleo bruto e pelos investimentos em plataformas offshore, com destaque para a Maria Quitéria. A pelotização, atividade ligada à produção da Vale e da Samarco, avançou 18,7%.

Indústria busca ampliar valor da produção

A produção de bens primários continua sendo a principal contribuição para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba, embora o setor de Serviços tenha participação maior na economia. Para a indústria, o desafio é transformar parte da extração de recursos naturais em produtos acabados, destinados ao consumidor final.

“Precisamos agregar cada vez mais valor ao produto fabricado no Espírito Santo e não apenas vender o produto bruto”, afirmou o presidente da Findes, Paulo Baraona.

A economista-chefe do Observatório da Indústria, Marília Silva, destacou que as empresas extrativistas precisam manter os investimentos. A preocupação está relacionada à possibilidade de redução da atividade nos poços da Bacia de Campos. “A indústria extrativa está colhendo hoje, tanto da Samarco e da Petrobras, os seus investimentos do passado”, disse.

O segmento de papel e celulose recuou 6,5%, em parte por causa da diminuição da demanda da China, um dos principais compradores do produto brasileiro. A Suzano exporta para o país mais de 40% da produção e mantém um centro de pesquisa na China. Para reduzir a dependência da importação de matéria-prima, o setor tem ampliado a própria base florestal.

Serviços, consumo e energia

Entre janeiro e junho, o setor de Serviços cresceu 1,6%, impulsionado pelo transporte de cargas, que avançou 2,9%. O desempenho foi associado ao aumento da atividade industrial. O transporte de passageiros também contribuiu para o resultado.

O comércio de bens e serviços aumentou 2%, mas apresenta desaceleração em comparação com o período de expansão após a pandemia. A capacidade de consumo das famílias, o endividamento e a inflação elevada pressionam o setor. A reforma tributária também preocupa a indústria porque, a partir de 2027, a arrecadação de impostos será vinculada ao consumo local nos estados.

A atividade de energia e saneamento cresceu 7,9% no primeiro semestre, acompanhando o aumento do consumo de energia elétrica. Conforme dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo no Espírito Santo subiu 7% na comparação com o mesmo período do ano passado. O avanço ocorreu entre consumidores industriais, com 8,7%, residenciais, com 7,4%, comerciais, com 6,1%, e outras classes, com 3,3%.

O setor de construção teve crescimento de 2,7%. O resultado ocorreu em um cenário de juros elevados, que podem afetar a realização de empreendimentos e a compra de imóveis pelas famílias. Segundo Paulo Baraona, a atividade é sensível ao custo do crédito e exige acompanhamento permanente.

A inflação dos combustíveis é apontada como a principal preocupação atual da indústria por elevar diretamente os custos de logística. Na indústria de alimentos, a produção caiu 9,3%, enquanto a pecuária recuou 7,5%. Marília Silva relacionou os resultados à produção de carne bovina e de gado de corte, tanto nos produtos frescos quanto nos congelados.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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