BRASÍLIA — Um apartamento de 150 m² na Asa Sul, em Brasília, combina móveis herdados, peças garimpadas, obras de arte e referências à arquitetura modernista. Moram no imóvel Hícaro e Juliana com a filha. O projeto foi assinado por André Oliveira, Manuela Galvão e Rodrigo Gimenes, do Tribeira Arquitetura, sobre uma base contemporânea de marcenaria escura.
A reforma reorganizou a planta sem reduzir a amplitude dos ambientes. A cozinha foi recuada para dar lugar a uma nova sala de jantar, enquanto a antiga dependência de serviço passou a concentrar a lavanderia. A área social foi dividida em três núcleos: estar, televisão e leitura.
“Minha expectativa era que o projeto respeitasse a atmosfera de Brasília, o modernismo arquitetônico e urbanístico, e conversasse com as nossas histórias”, conta Juliana. A mudança também ampliou o espaço de convivência da família e criou uma área contínua para receber amigos e familiares.
Mobiliário e obras de arte
O piso cerâmico foi substituído por madeira. A marcenaria escura percorre os ambientes e cria uma base comum para móveis de diferentes épocas, objetos e obras. Na sala de estar, duas poltronas Luis XV herdadas convivem com um aparador desenhado pelo escritório e com a poltrona PL-81, de Percival Lafer, revestida com camurça verde.
A Aquiles Gallery participou da seleção de peças vintage, incluindo um tapete persa e uma luminária de leitura. No living, gravuras de Athos Bulcão e Galeno, além de quadros de Aeio Sarti encomendados em Paraty, RJ, dividem espaço com obras de Roberto Burle Marx, Poteiro e Tami Moreira. Parte da seleção contou com consultoria de Monica Tachotte, da Tachotte & Co.
O projeto recebeu o nome de Memoar, em referência a memoir, gênero literário dedicado a relatos autobiográficos e memórias pessoais. Para Juliana, a composição deu novo valor aos móveis de família: “Esses móveis não ficaram com cara de ultrapassados. Pelo contrário, acho que receberam o valor que mereciam”.
Ambientes íntimos
A nova sala de jantar recebeu cadeiras que pertenciam à mãe de Juliana, compradas nos anos 1990, e a cristaleira da avó, mantida em seu estado original. Na cozinha, a distribuição mais compacta aproximou o ambiente da sala de jantar e do living. Banquetas de Danilo Vale acrescentam uma referência ao design brasiliense contemporâneo.
No lavabo, painéis de madeira foram instalados afastados do piso para formar um perímetro de iluminação indireta. Pastilhas hexagonais, arandelas de vidro leitoso e um espelho de madeira garimpado completam o espaço.
Na suíte do casal, o antigo roupeiro foi incorporado ao dormitório para criar um segundo closet e um novo acesso ao banheiro. Uma poltrona Thonart, trazida da Áustria e pertencente à família de Juliana há cinco gerações, foi recuperada para a penteadeira.
O cobogó original do edifício foi preservado no boxe do banheiro do casal, junto a uma jardineira interna. No quarto do bebê, o berço presenteado por uma tia e usado por primos mais velhos divide espaço com uma cômoda restaurada. Quadros encontrados em Londres pelos moradores completam o ambiente. O outro banheiro retoma as pastilhas hexagonais e a marcenaria de madeira escura.







