Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
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Acidentes aéreos podem matar antes e depois do impacto, explicam médicos

Além do politraumatismo, incêndios, despressurização, hemorragias e afogamento estão entre os riscos analisados em uma queda de aeronave.

Acidentes aéreos podem matar antes e depois do impacto, explicam médicos

A queda de um helicóptero matou cinco pessoas no estado, entre elas o cantor Rick, da dupla com Renner, informou o Corpo de Bombeiros. Os corpos foram resgatados nesta terça-feira (22), em uma área de mata de difícil acesso na Serra Catarinense, após a aeronave desaparecer na tarde de segunda-feira (21), durante o trajeto de Porto Belo para São Joaquim.

Os corpos foram encaminhados ao IML (Instituto Médico Legal) de Florianópolis, onde passarão por exames periciais. O objetivo é determinar as causas das mortes e reconstituir a sequência dos acontecimentos.

Riscos antes da colisão

O politraumatismo, conjunto de lesões graves provocado pelo impacto, é a causa mais frequente de morte em quedas de aeronaves. Mas os riscos podem começar antes da colisão com o solo.

Um incêndio a bordo pode surgir por falhas elétricas na fiação, superaquecimento de componentes do motor ou vazamento de combustível em superfícies quentes. A fumaça pode conter monóxido de carbono, cianeto e gases irritantes. O monóxido de carbono dificulta o transporte de oxigênio pelo sangue, enquanto os demais gases podem inflamar e obstruir as vias respiratórias. Com isso, a vítima pode morrer por asfixia, intoxicação ou queimaduras antes do impacto.

Em aviões comerciais que voam em grandes altitudes, existe ainda o risco de despressurização. A perda rápida da pressão interna pode provocar hipóxia, que é a falta de oxigênio no organismo. O médico legista Osvaldo Sérgio Ortega afirma que esse processo geralmente não causa morte instantânea, mas pode comprometer a capacidade de reação: “Seu principal efeito é a deterioração do julgamento, perda da capacidade de agir e, posteriormente, inconsciência”.

Lesões causadas pelo impacto

A gravidade dos ferimentos depende da velocidade, do ângulo da queda e do grau de deformação da aeronave. O traumatismo craniano pode ocorrer quando a cabeça bate em painéis, poltronas ou partes da estrutura.

A desaceleração brusca também pode romper vasos e órgãos internos. Quando a aeronave para repentinamente, o corpo é interrompido, mas os órgãos continuam se deslocando por inércia. Segundo o cirurgião do trauma Pedro Ferreira, essa força pode atingir a aorta, o fígado, o baço e os rins.

Sobreviver ao choque inicial não elimina os riscos. Hemorragias internas podem causar choque hipovolêmico, colapso da circulação provocado pela perda de volume sanguíneo. Lesões no tórax podem levar ao pneumotórax hipertensivo, quando o ar se acumula sob pressão ao redor do pulmão e dificulta a respiração e os batimentos cardíacos.

Também podem ocorrer aspiração de sangue ou vômito por vítimas inconscientes, queimaduras graves e inalação de fumaça depois da queda.

Água, frio e tempo de resgate

Em acidentes na água, a vítima pode se afogar mesmo depois de resistir ao impacto. Entre os fatores estão a dificuldade para soltar os cintos, o estado de atordoamento e fraturas que impedem a saída da aeronave.

Em águas geladas ou locais frios, a hipotermia pode reduzir rapidamente a temperatura do corpo e levar à parada cardíaca. Quando não há ferimentos imediatamente fatais, a sobrevivência depende do tempo. A rapidez do resgate, a presença de fumaça e as condições das saídas de emergência influenciam a possibilidade de abandonar a aeronave.

Como a perícia identifica a causa

A perícia médica cruza os resultados da necropsia com a análise do local do acidente. O trabalho busca estabelecer a ordem das lesões e verificar se a vítima estava viva quando ocorreu determinada exposição ou ferimento. Para Ortega, “Não existe um sinal isolado absolutamente conclusivo”.

Entre os sinais analisados estão fuligem na traqueia e nos brônquios profundos, que pode indicar respiração durante um incêndio, e carboxihemoglobina no sangue, evidência de absorção de monóxido de carbono enquanto o coração ainda batia.

A ausência desses sinais, porém, não prova automaticamente que a morte ocorreu antes do impacto. Lesões instantaneamente fatais podem impedir qualquer reação do organismo. Em impactos de altíssima energia, a perícia também pode não conseguir reconstituir com precisão toda a sequência dos eventos.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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