A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quinta-feira (10) a operação Make Up para investigar um suposto desvio de recursos públicos de emendas parlamentares relacionado ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, sem ordens de prisão.
A produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) estão entre os alvos. Também foram realizadas buscas no Instituto Conhecer Brasil (ICB) e na Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades de propriedade de Karina. A empresa Go Up, responsável pela produção do filme, não está entre os alvos dos mandados.
O caso é relatado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito, que tramitava em São Paulo, foi transferido para a corte. A investigação apura a possível atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. Segundo a PF, recursos enviados a uma organização da sociedade civil teriam sido direcionados a empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação de que os serviços foram executados.
A corporação afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao suposto esquema. As apurações envolvem suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Auditoria da CGU apontou possível desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades ligadas a Karina, com gastos sem comprovação.
Frias atua como roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”. Em maio, ele afirmou ao STF que as emendas destinadas a organizações não governamentais ligadas à produtora não foram enviadas para “qualquer produção cinematográfica”. Os citados na operação ainda não haviam se manifestado.
Outras apurações sobre o filme
Há outro inquérito no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, que examina repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), e o caminho percorrido pelo dinheiro.
A delação de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, foi homologada por Mendonça na quarta (9). Dono da Entre Investimentos, ele afirmou que a empresa fez repasses para o filme a mando de Vorcaro. O acordo com a Procuradoria-Geral da República foi assinado em 8 de agosto.
Segundo a delação, foram feitos sete repasses, entre janeiro e setembro de 2025, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. As transferências somaram US$ 12,333 milhões, valor equivalente a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025. A PF apura se todo o dinheiro foi usado no filme ou se parte teve outras destinações.
O Instituto Conhecer Brasil também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil por causa de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi gratuitos na periferia. O acordo previa 5 mil pontos até junho de 2025; até a presente data, 3.200 haviam sido instalados. Ao menos três aditivos alteraram o prazo de entrega, e o Ministério Público apura se houve concorrência na contratação.







