Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Denúncia sobre filme de Bolsonaro coloca Flávio no centro do caso Master

Senador nega ter recebido recursos de Daniel Vorcaro; oposição pede investigação e aliados tentam conter o impacto político da acusação.

Filme de Bolsonaro leva Master ao colo de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser diretamente associado à denúncia de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria financiado o filme Dark Horse, cinebiografia internacional sobre Jair Bolsonaro (PL). A acusação é baseada em mensagens, áudios, comprovante bancário e tabela de pagamentos, que indicariam uma negociação de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época.

Os documentos analisados apontam que pelo menos US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões, teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025. Flávio negou a acusação e afirmou que a informação era mentira. O senador disse ainda que o projeto teria sido bancado com recursos privados e rejeitou qualquer ligação financeira com Vorcaro.

A denúncia altera o foco da atuação política de Flávio, que vinha atribuindo o caso Master ao governo Lula e ao Banco Central enquanto defendia a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). A suspeita leva o debate para uma possível relação direta entre o pré-candidato ao Planalto e o dono do banco, em um período de pressão regulatória sobre a instituição.

Pressão sobre o grupo político

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) já havia relacionado o entorno de Flávio ao caso. Ela citou Marcello Lopes, publicitário responsável pela comunicação do senador, e afirmou que ele teria sido estrategista de um plano contratado por Vorcaro para atacar o Banco Central. Gleisi também criticou a defesa da CPMI e disse que Flávio teria pedido a investigação em vídeo, mas permanecido em silêncio quando poderia agir no Congresso.

A nova acusação amplia a pressão sobre a pré-campanha. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que pedirá à Polícia Federal (PF) a prisão preventiva de Flávio e ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens do senador e do PL. Pedro Uczai (PT-SC), líder da bancada do PT na Câmara, disse que pretende solicitar ao STF a abertura de inquérito sobre a relação entre Flávio e Vorcaro.

O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), tentou afastar o senador do escândalo. Ele disse que o caso não atingirá Flávio, classificou a expressão “BolsoMaster” como eleitoreira e afirmou não haver comprovação de envolvimento de políticos de direita.

Filme, aliados e próximos passos

A defesa política também envolve Ciro Nogueira (PP-PI). Cabo Gilberto afirmou que seria ruim mantê-lo no palanque de Flávio caso fosse comprovado seu envolvimento com o Master. Ciro já foi citado pelo senador como um nome com bom perfil para vice, e Valdemar Costa Neto, presidente do PL, voltou a mencionar essa possibilidade nesta quarta-feira (13).

As liquidações do Master e da Reag afetaram cerca de 1,6 milhão de clientes. O conjunto formado por Master e Will Bank tem rombo estimado de R$ 47,3 bilhões e é descrito como o maior colapso bancário da história do país.

A apuração também menciona Eduardo Bolsonaro, Mario Frias e outros intermediários. O fundo Havengate Development Fund LP, no Texas, aparece ligado à produção do filme e relacionado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo. Há ainda referências a mensagens envolvendo Mario Frias e participantes das negociações.

O caso deve repercutir em uma manifestação prevista para 29 de maio, em Curitiba, durante a comemoração do aniversário do deputado federal Filipe Barros (PL-PR), no Clube Curitibano. Flávio é esperado no evento, que passou a ser associado a faixas com o termo “BolsoMaster”.

A denúncia não representa condenação de Flávio, que nega a acusação. Ainda assim, a suspeita aumenta a cobrança sobre sua pré-candidatura e sobre os aliados que defendem seu nome para a disputa de 2026.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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