Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Emenda ligada ao Banco Master cria pressão sobre aliados de Flávio Bolsonaro

Ciro Nogueira anunciou a retomada de proposta sobre garantias bancárias enquanto deputados do PL defendem benefícios para o setor de armas.

Onda de choque do caso Master abala campanha de Flávio Bolsonaro
Foto: Daniel Ramalho/Afp

A campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República passou a enfrentar pressão com as investigações sobre o Banco Master e a atuação política de aliados ligados ao caso. Entre os nomes envolvidos estão o senador Ciro Nogueira e o deputado Filipe Barros, escolhido pelo Partido Liberal para disputar o Senado pelo Paraná.

Na terça-feira (12/5), Nogueira anunciou que pretende reapresentar a chamada Emenda Master. A proposta amplia a cobertura para investimentos e depósitos privados no sistema bancário. Em agosto de 2024, o senador havia apresentado um projeto para elevar a garantia aos clientes de bancos de 250 mil reais para 1 milhão de reais por investidor ou depositante.

A iniciativa recebeu esse nome por, em tese, atender aos interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O Banco Master prometia rentabilidade cinco vezes acima da média do mercado e oferecia suposta garantia do sistema bancário, segundo as informações reunidas nas investigações.

A polícia sustenta que o texto foi elaborado dentro do banco e entregue a Nogueira. O senador é apontado como alguém que receberia uma “mesada” de até 500 mil reais por mês. A proposta, apresentada como emenda à PEC 65 de 2023, foi rejeitada pelo Senado.

Três meses depois, a medida voltou à Câmara na forma do projeto de lei nº 4395, apresentado por Filipe Barros, integrante do grupo Direita Paraná. No início do mês, ele foi escolhido por Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro para ser o candidato ao Senado pelo Partido Liberal no Paraná. Não foram divulgados os resultados das investigações sobre a tramitação da proposta na Câmara. Nogueira e Barros afirmaram que a iniciativa buscava proteger pequenos investidores.

Outros projetos do Partido Liberal

O caso também se relaciona a propostas aprovadas por uma comissão da Câmara nesta terça-feira. Os projetos nº 3.824 e 4181, de autoria do deputado Marcos Pollon, do PL de Mato Grosso, foram relatados por Paulo Bilynskyj, do PL de São Paulo.

Uma das propostas libera saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para estimular a compra de armas de fogo e munições. A outra cria condições especiais para empresas de fabricação, importação, exportação e comércio desses produtos.

O texto prevê que dívidas do setor possam ser renegociadas com pagamento de 5% do valor total em cinco vezes, sem juros. Os 95% restantes seriam parcelados em cinco anos, também sem juros, multas, encargos ou honorários advocatícios.

Ciro Nogueira é senador do Piauí e vice-presidente do União Progressista, bloco com 6 estados, 111 deputados e 14 senadores. Aos 57 anos, ele busca a reeleição. Sua trajetória inclui alianças com o Partido dos Trabalhadores e com o grupo bolsonarista. Em 2018, apoiou Fernando Haddad; em 2021, uniu-se a Jair Bolsonaro, que entregou ao Centrão o comando da Casa Civil.

As investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal ainda podem alcançar outros personagens relacionados à atuação de Daniel Vorcaro no Congresso, no governo e no Judiciário. A ligação entre Nogueira e Barros acrescenta à campanha de Flávio Bolsonaro a necessidade de explicar a origem e a tramitação das propostas associadas ao Banco Master.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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