A democracia não se resume ao voto ou à vitória de um grupo. Ela também exige aceitar a derrota, lidar com a frustração e reconhecer que pessoas com posições opostas continuam fazendo parte do mesmo sistema político.
O princípio central é a igualdade na aplicação das regras. Uma norma pode parecer justa quando atinge quem pensa de forma diferente e exagerada quando alcança pessoas com quem existe identificação. A regra, porém, não mudou; o que mudou foi a posição de quem a avalia.
O peso da identificação
A proximidade com um grupo interfere na maneira como seus integrantes julgam comportamentos e argumentos. Há uma tendência a procurar justificativas mais favoráveis para as escolhas dos aliados e a observar com maior rigor as contradições dos adversários.
Esse mecanismo também aparece na criação de exceções para o próprio grupo. A defesa da democracia, dos direitos ou de uma instituição pode ser usada para explicar por que determinada conduta seria aceitável em um caso, mas não em outro. O teste mais difícil é perguntar se a mesma regra seria defendida caso fosse aplicada ao grupo contrário.
Aceitar que alguém com ideias opostas tenha o mesmo direito de participar das decisões sobre o futuro é uma tarefa pouco intuitiva. Cada pessoa conhece as próprias dúvidas, informações e razões, mas costuma enxergar nos outros apenas a conclusão final. Assim, o próprio julgamento parece mais complexo, enquanto o raciocínio alheio pode ser reduzido a falta de informação, influência, interesse ou incapacidade.
A democracia, portanto, depende de um esforço que não surge automaticamente. Votar permite escolher e expressar preferências. Contar os votos e reconhecer o resultado exigem conviver com a possibilidade de que o outro vença.
A análise apresentada por um executivo, mestre em gestão empresarial, consultor, mentor de profissionais em transição de carreiras e professor do MBA de ESG e Sustentabilidade da FGV sustenta que a democracia foi construída para conter parte dos comportamentos humanos mais espontâneos. Por isso, seus princípios precisam valer também quando contrariam quem os defende.








