Antônio Carlos Freixo Júnior entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) extratos bancários e comprovantes de transferências para o fundo de investimentos Havengate, sediado no Texas e administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. O empresário afirma que os pagamentos foram determinados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Freixo Júnior firmou acordo de delação premiada com a PGR e se comprometeu a pagar cerca de R$ 2 bilhões em multa. No documento, relatou operações financeiras ilícitas que, segundo ele, teriam sido realizadas a pedido de Vorcaro. O acordo foi encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), há cerca de 15 dias, mas ainda não foi homologado.
A homologação é necessária para dar validade jurídica à colaboração e permitir seu uso como meio de prova. Até o momento, o acordo permanece sem essa confirmação.
Pagamentos ao fundo nos Estados Unidos
De acordo com o relato apresentado aos investigadores, a solicitação para os repasses teria partido do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Ele teria pedido US$ 24 milhões a Vorcaro para financiar uma produção cinematográfica sobre a vida do pai.
Diálogos e comprovantes encontrados no celular do banqueiro registraram pagamentos de pelo menos US$ 10 milhões ao Havengate. Na época, o montante equivalia a cerca de R$ 61 milhões.
Freixo Júnior declarou que realizou as transferências ao fundo nos Estados Unidos por orientação de Vorcaro, mas afirmou não saber qual foi o destino final dos recursos. Ele também descreveu uma operação criada para viabilizar o envio do dinheiro ao exterior, que, conforme o relato, poderia ser caracterizada como evasão de divisas.
Além das transferências por fundos de investimento, o empresário relatou que repasses também eram feitos em dinheiro vivo. Nas investigações, ele é apontado como um dos operadores financeiros ligados ao banqueiro.







