Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Caiado mantém influência na disputa pelo governo de Goiás enquanto enfrenta cenário nacional

Ex-governador apoia Daniel Vilela, que lidera pesquisa, enquanto Wilder Morais e Marconi Perillo disputam espaço na eleição estadual.

Caiado é peça central da eleição ao governo de Goiás em meio a dificuldades no nível nacional

Ronaldo Caiado continua no centro da disputa pelo governo de Goiás, mesmo após deixar o cargo para concorrer à Presidência. O ex-governador tem participado de atos ao lado de Daniel Vilela, seu ex-vice e atual governador, em uma estratégia de transferência de força política para o candidato do MDB.

Caiado deixou o comando do Estado em 31 de março e esteve novamente em Goiás nesta terça-feira, em Aparecida de Goiânia, durante um evento de apoio a Vilela. Na semana anterior, participou do desfile cívico de 7 de Setembro, em Goiânia. A presença também se relaciona à candidatura de sua mulher, Gracinha Caiado, do União, ao Senado na chapa de Vilela.

A pesquisa AtlasIntel divulgada no dia 3 mostra Daniel Vilela com 43,5% das intenções de voto. Wilder Morais, do PL, aparece com 20,1%, tecnicamente empatado com Marconi Perillo, do PSDB, que tem 16,1%. O levantamento foi registrado sob o protocolo GO-05293/2026 e tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Disputa pelo legado

A campanha de Vilela associa diretamente sua imagem à de Caiado. O ex-governador aparece em programas eleitorais apresentando o sucessor como parceiro de “todos os anos de governo” e como o nome preparado para manter as conquistas da gestão anterior. O slogan adotado pela campanha é “É Daniel, é Caiado. Tudo junto e misturado.”

Para Guilherme Carvalho, doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e diretor-executivo da Métrica Viabilidade, a estratégia não trata apenas da transferência da aprovação de Caiado. Também envolve a preservação da coalizão política construída durante o mandato anterior.

Carvalho afirma que Vilela tem mantido relativamente estável a estrutura política herdada e demonstrado capacidade de articulação para transformar a influência de Caiado em força própria. “Caiado é um grande eleitor, ele deixa uma grande herança”, disse o cientista político.

A aprovação do governo de Caiado chega a 84% entre os eleitores goianos, conforme pesquisa Quaest divulgada em 30 de julho de 2026. A associação entre os dois políticos também foi questionada na Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) suspendeu, no final do mês passado, duas peças da propaganda de Vilela com a participação do ex-governador, por considerar que elas ultrapassavam o resgate histórico e configuravam promoção eleitoral. As decisões foram derrubadas depois.

Estratégias dos adversários

Wilder Morais tenta se apresentar como alternativa ao grupo que comandou Goiás nos últimos anos. O candidato do PL aproxima sua campanha do bolsonarismo e de eleitores que se identificam com Jair Bolsonaro. A propaganda usa referências a fé, família, trabalho, campo e desenvolvimento do Estado, sem ataques diretos aos adversários, e termina com o número 22 e imagens de Wilder ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro.

Na avaliação de Carvalho, Vilela e Wilder disputam parte do mesmo eleitorado de direita, embora estejam ligados a referências políticas diferentes. O pesquisador afirma que a rivalidade entre o grupo de Caiado e o bolsonarismo em Goiás envolve a liderança sobre essa base eleitoral. “Não é um embate de projeto, não é um embate ideológico, é um embate por poder”, resume.

Marconi Perillo adotou uma estratégia distinta. O candidato do PSDB usa sua própria trajetória como ex-governador para tentar retornar ao Palácio das Esmeraldas. Com cerca de 30 segundos em cada horário eleitoral, a campanha relembra realizações associadas aos quatro mandatos de Perillo, entre elas o HUGOL, a Universidade Estadual de Goiás (UEG), a Bolsa Universitária, os colégios militares e as Patrulhas Maria da Penha.

Na segunda-feira, 31, Perillo passou a fazer críticas diretas a Vilela e ao grupo político atualmente no poder. A campanha combina a recuperação da imagem do ex-governador com ataques à gestão atual. Para Carvalho, porém, Perillo tem dificuldade para transformar a crítica em uma proposta de futuro. “Ele não consegue transmitir a sensação de que vai governar Goiás para o futuro”, afirmou.

Desafio presidencial

Enquanto preserva influência na eleição estadual, Caiado enfrenta dificuldades para levar esse capital político à disputa pela Presidência. Na pesquisa AtlasIntel, ele aparece com 19,2% das intenções de voto em Goiás, mas encontra obstáculos para romper a polarização nacional.

Segundo Carvalho, o ex-governador não apresenta diferenciação suficientemente clara em relação aos principais nomes da direita. O cientista político também avalia que Caiado ainda é pouco conhecido pelo eleitorado nacional e mantém pontos de proximidade com Jair Bolsonaro, o que dificulta a disputa por eleitores que priorizam o candidato considerado mais competitivo contra o PT.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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